segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Escrever é uma maldição que salva... de Clarice Lispector




"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. (...) Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Não estou me referindo a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase possível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada... Lembrando-me agora com saudade da dor de escrever livros."
(Clarice Lispector)

John Lennon - Woman 

domingo, 28 de agosto de 2011

Escrita Criativa.....




Texto
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
 
Fernanda Braga da Cruz (Aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Noite e Dia" - Poema de Nuno Júdice


Winslow Homer, Artists Sketching in the White Mountains, 1868, oil on panel (Portland Museum of Art, Portland, Maine)



NOITE E DIA 


E então a noite caiu, para que não se falasse
do cair da noite. A noite caiu tão fria como as
últimas noites que caíram, neste princípio de
Inverno, e ninguém pôs um colchão por baixo
dela para que a noite não se magoasse, ao cair.
A noite limitou-se a cair, e com ela caiu o céu
sem lua, com todas as estrelas do universo a
caírem com ela. Só os olhos não caíram, porque
para verem o céu e as estrelas que o enchiam
tiveram de se levantar. E foi preciso falar
do cair da noite para que os olhos tomassem
a direcção do céu, e descobrissem tudo o que
havia no céu sem lua. «Deixem cair a noite»,
disse alguém. E logo alguém pediu que o
dia se levantasse, como se uma coisa estivesse
ligada a outra. Então, o dia levantou-se da
noite que caiu; e a noite caiu sobre o dia
que se levantava, para que a sua queda fosse
amparada pelo colchão do dia, e as estrelas
tivessem onde pousar, à medida que caíam.


As Coisas Mais Simples



Winslow Homer, On the Beach



" Liberta-te....
e corre em demanda da felicidade.
Deixa-te encantar pelo mar,
as aves e as flores...
e vê como todos se vestiram de festa
por causa de ti."


Poeta e dramaturgo alemão
(1815-1884)



Famoso discurso de Steve Jobs na Stanford University em 2005 
(legendado em português) 


"...Sempre disse que se chegasse o dia em que não conseguisse corresponder aos meus deveres e expectativas como CEO da Apple, seria o primeiro a dizer-vos. Infelizmente, esse dia chegou", escreveu Steve Jobs na carta de demissão, divulgada no dia 24 de agosto de 2011 e dirigida ao conselho de administração e à "comunidade Apple".
Steven Paul "Steve" Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de fevereiro de 1955) é um magnata e inventor americano. Foi co-fundador, ex-presidente e ex-diretor executivo da Apple Inc.
No final da década de 1970, Jobs, em conjunto com Steve Wozniak e Mike Markkula, entre outros, desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais de sucesso, a série Apple II. No começo da década de 1980, ele estava entre os primeiros a perceber o potencial comercial da interface gráfica de usuário guiada pelo mouse, o que levou à criação do Macintosh.
Após perder uma disputa de poder com a mesa diretora em 1984, Jobs demitiu-se da Apple e fundou a NeXT, uma companhia de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. A compra da NeXT pela Apple em 1996 levou Jobs de volta à companhia que ele ajudara a fundar, e ele serviu como seu CEO de 1997 a 24 de Agosto de 2011, ano em que anunciou sua renúncia ao cargo, recomendando Tim Cook como sucessor. 

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)


Tim Cook, que desempenhava o cargo de director de operações, estava já ao comando da empresa na ausência de Jobs, tal como acontecera também em 2004, quando Steve Jobs foi operado ao pâncreas. Há muito que Cook era apontado como o muito provável sucessor do conhecido co-fundador.
Foi logo em 1998 que Tim Cook, cinco anos mais novo do que Jobs, começou a gan­har o estatuto de número dois den­tro da empresa. E, desde então, foi acumulando respon­s­abil­i­dades: por exem­plo, negociou com as principais oper­ado­ras de tele­co­mu­ni­cações a com­er­cial­iza­ção do iPhone e planeia a nível global a venda de produtos. Cresceu numa das pou­cas cidades do estado do Alabama, nos EUA, que têm lig­ação ao mar. 
É conhecido por gostar de exercício físico, pela exigência no trabalho e por ser introvertido e muito diferente do espírito facilmente irascível de Jobs. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mariah Carey ...


Mariah Carey - Angels Cry 
 

 Angels Cry

I shouldn't have walked away
I would've stayed if you said
We could've made everything ok
But we just
Threw the blame back and forth
We treated love like a sport
The final blow hit so low
I'm still on the ground
I couldn't have prepared myself for this fall
Shattered in pieces curled on the floor
Super natural love conquers all
'Member we used to touch the sky
And
Lightning don't strike
The same place twice
When you and I said goodbye
I felt the angels cry
True love's a gift
But we let it drift
In a storm
Every night
I feel the angels cry
C'mon babe can't our love be revived
Bring it back and we gon' make it right
I'm on the edge just tryin' to survive
As the angels cry
Limitless omnipresent
Kind of love couldn't have guessed
It would just up and disappear in
The whirlwind
Here I am walkin' on this narrow rope
Wobbling but won't let go
Waitin' for a glimpse of the sun's glow
I know I can stand just pull me back up
Like there ain't no hurricane
It's just us
I'm willing to live and die for our love
Baby we can get back that shine
Cause
Lightning don't strike
The same place twice
When you and I said goodbye
I felt the angels cry
True love's a gift
But we let it drift
In a storm
Every night
I feel the angels cry
Come on baby, can our love be revived
Bring it back and we're gon' make it right
I'm on the edge just tryin' to survive
As the angels cry
Baby I'm missin' you
Don't allow love to lose
We gotta ride it through
I'm reaching for you
Baby I'm missin' you
Don't allow love to lose
We gotta ride it through
I'm reaching for you
Lightning don't strike
The same place twice
When you and I said goodbye
I felt the angels cry
True love's a gift
But we let it slip
In a storm
Every night
I feel the angels cry


Mariah Carey - I Want To Know What Love Is  
       
I Want To Know What Love Is 
   
I gotta take a little time
A little time to think things over
I better read between the lines
In case I need it when I'm colder
In my life
There's been heartache and pain
I don't know
If I can face it again
Can't stop now
I've traveled so far
To change this lonely life
I wanna know what love is
I want you to show me
I wanna feel what love is
I know you can show me
Gonna take a little time(take a litlle time)
A little time to look around me (ooh)
I've got nowhere left to hide (nowhere left to hide)
It looks like love's finally found men (oooh)
In my life
There's been heartache and pain
I don't know
If I can face it again
Can't stop now
I've traveled so far
To change this lonely life
I wanna know what love is (Ooooh-oh)
I want you to show me (Meeeeee-ee)
I wanna feel what love is (Feel what love is)
And I know you can show me (Show me, I wanna know)
I wanna know what love is (I wanna know)
I want you to show me (And I feel you so much love)
I wanna feel what love is
And I know you can show me
Oh, let's talk about love


Mariah Carey - My All

My All 
I am thinking of you
In my sleepless solitude tonight
If it's wrong to love you
Then my heart just won't let me be right
Cause I've drowned in you
And I won't pull through without you by my side
I'd give my all to have
Just one more night with you
I'd risk my life to feel
Your body next to mine
Cause I can't go on
Living in the memory of our song
I'd give my all for your love tonight
Baby can you feel me
Imagining I'm looking in your eyes
I can see you clearly, vividly
Emblazoned in my mind
And yet you're just so far,
Like a distant star I'm wishing on tonight
I'd give my all to have
Just one more night with you
I'd risk my life to feel your
Body next to mine
Cause I can't go on
Living in the memory of our song
I'd give my all for your love tonight.
I'd give my all to have
Just one more night with you
I'd risk my life
To feel your body next to mine
Cause I can't go on
Living in the memory of our song
I'd give my all for your love tonight
Oh, I'd give my all for your love tonight


domingo, 21 de agosto de 2011

Gianni Morandi...

Recordações das músicas italianas dos anos 60.

Gianni Morandi "Canzone per te" 



Gianni Morandi  "Non son degno di te"



Gianni Morandi "Se non avessi più te"

Gigliola Cinquetti ...



"NON HO L´ETÁ" e "DIO COME TI AMO"


Gigliola Cinquetti - Si "1974"

Gigliola Cinquetti - La Pioggia "1969-2009"





Jacques Brel...


Jacques Brel - Ne me quitte pas 

http://www.youtube.com/watch?v=zIP9UHtvk1g&feature=youtu.be

Ne Me Quitte Pas

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas (4 fois)

Moi je t'offrirai
Des perles du pluie
Venues de pays
Ou il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumiere
Je ferai un domaine
Ou l'amour sera roi
Ou l'amour sera loi
Ou tu seras reine
Ne me quitte pas (4 fois)

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas (4 fois)

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas (4 fois)

Ne me quitte pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (4 fois)

Jacques BREL - Au Printemps 

sábado, 20 de agosto de 2011

O Nosso Planeta...









Louis Armstrong - what a wonderful world 

what a wonderful world

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.

I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands saying how do you do
They're really saying I love you.

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more than I'll never know
And I think to myself what a wonderful world
Yes I think to myself what a wonderful world.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sons do Brasil...




Maria Bethânia - Casinha Branca 



Maria Bethânia - Luar do Sertão

  
 

 

Tom Jobim - Insensatez


 

 Ney Matogrosso - O Mundo é um moinho


 Ney Matogrosso - Tico-tico no fubá


Tico-tico no Fubá
(Zequinha De Abreu)

E o tico-tico só, o tico-tico lá
Está comendo todo, todo o meu fubá
Olha Seu Nicolau
Que o fubá se vai
Pego no meu picapau
E o tiro sai
Então eu tenho pena do susto que levou
E uma cuia cheia de fubá eu dou
E alegre já voando e piando
Meu fubá, meu fubá
Saltando de lá para cá

Ouvi um dia porém que ele não voltou
O seu gostoso fubá, o vento levou
Triste fiquei, quase chorei, mas então vi
Logo depois não era um, e sim já dois
Quero contar baixinho a vida dos dois
Tiveram ninho e filhinhos depois
Todos agora pularam e saltando aqui
Comendo todo o meu fubá
Saltando de lá para cá




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"O Baile" - Poema de Natércia Freire


Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca em Fogo, óleo sobre tela, 1974.



O Baile 


Névoa em surdina 
A sombra que acompanha 
As finas pernas a dançar na tarde. 
Jogo de jovens corpos. 
Música de montanha, 
Num tempo teu e meu 
De eternidade. 
E eu, as duas estranhas. 

Olha quem toca o ponto 
Que há no fim! 
Ao fim de mim, 
No ponto para que vim. 
Ao fim de mim 
No ponto donde vim. 
Vulto de agulha 
Em fumo de água e lenha. 

Eu, as duas estranhas. 

É sempre pelos outros que falamos. 
Eu, as duas estranhas, por mim falam. 
Em estradas como ramos 
oscilamos. E vamos 
Convergentes, dispersas, disparadas 
Pelos tiros de magos inocentes 
Do caos ao sol 
Em gradações de escadas. 

Ouve-se às vezes uma voz: — Presente! 
E já no corpo as almas vão trocadas. 

Foi em concretos dias de sol-posto, 
Em fábricas de fios de uma aranha, 
Que se teceram 
Em finíssimas teias de desgosto, 
(Eu) as duas estranhas. 
in 'Antologia Poética'



Pintores Portugueses

Vieira da Silva 
Pintora portuguesa. Nasceu em Lisboa em 1908. Faleceu em 1992.




Júlio Resende
Pintor português. Nasceu no Porto em 1917.



Júlio Pomar
Artista plástico português. Nasceu em Lisboa em 1929.



Manuel Cargaleiro 
Artista plástico português. Nasceu em Vila Velha de Ródão em 1927.



Paula Rego
Pintora portuguesa. Nasceu em Lisboa em 1935.



Graça Morais
Pintora portuguesa. Nasceu em Vieiro, Bragança em 1948


Nadir Afonso
Pintor e arquitecto português. Nasceu em Chaves em 1920.



Mário Botas
Pintor português. Nasceu em 1952 na Nazaré. Faleceu em 1983.



Cruzeiro Seixas
Poeta e pintor surrealista português. Nasceu na Amadora em 1920.



"Um Grande Utensílio de Amor" - Poema de Mário Cesariny


Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea



Um Grande Utensílio de Amor


um grande utensílio de amor 
meia laranja de alegria 
dez toneladas de suor 
um minuto de geometria 

quatro rimas sem coração 
dois desastres sem novidade 
um preto que vai para o sertão 
um branco que vem à cidade 

uma meia-tinta no sol 
cinco dias de angústia no foro 
o cigarro a descer o paiol 
a trepanação do touro 

mil bocas a ver e a contar 
uma altura de fazer turismo 
um arranha-céus a ripar 
meia-quarta de cristianismo 

uma prancha sem porta sem escada 
um grifo nas linhas da mão 
uma Ibéria muito desgraçada 
um Rossio de solidão 


in 'Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano'



António Ramalho - Pintor português 
Nasceu em Mesão Frio em 1859 e faleceu em 1916




Amadeo de Souza Cardoso - Pintor português  
Nasceu em Amarante em 1887 e faleceu em Espinho em 1918.




Almada Negreiros - Pintor, poeta e escritor português 
Nasceu em S.Tomé em 1893 e morreu em Lisboa em 1970.



Abel Manta - Pintor português
Nasceu em Gouveia em 1888. Faleceu em 1982.



Columbano - Pintor português 
Nasceu em Lisboa em 1857. Faleceu em 1929.




António Carneiro - Pintor português 
Nasceu em Amarante em 1872. Faleceu em 1930.




 Henrique Medina - Pintor retratista português
Nasceu no Porto em 1901. Faleceu em 1988.




Dominguez Alvarez - Pintor português de origem galega 
Nasceu no Porto em 1906. Morreu em 1942.




As artes plásticas 


As artes plásticas ou belas-artes são as formações expressivas realizadas utilizando-se de técnicas de produção que manipulam materiais para construir formas e imagens que revelem uma concepção estética e poética em um dado momento histórico. O surgimento das artes plásticas está directamente relacionado com a evolução da espécie humana.
As artes plásticas surgiram na pré-história. Existem diversos exemplos da pintura rupestre em cavernas. Até os dias actuais há sempre uma necessidade de expressão artística utilizando novos meios. É nas artes plásticas que encontramos o uso de novos meios para a criação, invenção e apreciação estética.

A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas.
Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como papel, tela, ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura a óleo é considerada por muitos como um dos suportes artísticos tradicionais mais importantes; grandes obras de arte, tais como a Mona Lisa, são pinturas a óleo; com o desenvolvimento tecnológico dos materiais, outras técnicas tornaram-se igualmente importantes como, por exemplo, a tinta acrílica.
Diferencia-se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da cor, enquanto aquele apropria-se principalmente de materiais secos.

No entanto, há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, a ideia de que pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Actualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura não deve ser ignorada. O concernente à pintura é pictural, pictórico, pinturesco, ou pitoresco.

Na pintura, um dos elementos fundamentais é a cor. A relação formal entre as massas coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura básica, guiando o olhar do espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da História da Arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos ou não-figurativos. A cor é considerada por muitos artistas como a base da imagem.


"A Arte" - de Auguste Rodin


Auguste Rodin, The Kiss, 1882  


"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam." 

(Auguste Rodin)


Auguste Rodin by Edward Steichen, 1902 


Artista francês, Auguste Rodin nasceu a 12 de dezembro de 1840, em Paris, e faleceu em 1917. Dotado de um talento natural para a perceção das formas, nunca foi contudo admitido na Escola de Belas-Artes. A cabeça em argila Homem com o Nariz Partido foi rejeitada pelo Salão de 1864. Tornou-se aluno e assistente de Carrier-Belleuse, executando algumas das encomendas que este recebia. A descoberta da obra de Michelangelo Buonarroti, numa viagem a Itália em 1874, libertou o seu estilo e fez-lhe integrar a importância do modelado. A controvérsia gerada no Salão de 1877 pela Idade do Bronze acabou por lhe granjear a proteção oficial. Recebeu assim várias encomendas, entre elas o projeto de As Portas do Inferno, o monumento Os Burgueses de Calais e a estátua de Honoré de Balzac. A sua reputação continuou a aumentar, expondo no Salão de Paris, na Exposição de Bruxelas e na Exposição Universal de 1900. Rodin quebrava as superfícies para dar novos efeitos de luz, deixava partes por acabar, exprimindo a ideia de a estátua brotar da pedra. A paixão por Camille Claudel, sua colaboradora e irmã do escritor Paul Claudel, inspirou-lhe as várias versões de O Beijo e outras obras de temática erótica. A última fase de Rodin liga-se ao movimento simbolista e inclui uma série de mãos e de figuras femininas alegóricas.

Auguste Rodin. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora.



Auguste Rodin, Primavera: jovem com chapéu de palha, 1865
[retrato de Rose Beuret-Rodin, esposa do escultor]

Bronze



Auguste Rodin, O Pensador



“Eu escolho um bloco de mármore e dele retiro tudo o que não preciso.”

(Auguste Rodin)






"O espírito esboça, mas é o coração que modela".

(Auguste Rodin)



Os Burgueses de Calais de Auguste Rodin



Os Burgueses de Calais de Auguste Rodin



terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Mona Lisa" ... Pintura de Leonardo da Vinci



Leonardo da VinciMona Lisa or La Gioconda (1503–1505/1507)—Louvre, Paris, France



Mona Lisa (15031507Louvre) é o retrato que mais tem rendido, em termos de literatura — tem dado origem a contos, romances, poemas e até mesmo óperas (e paródia) desde seu tempo, como a Monna Vanna de Salai — em toda a história da arte. Foi uma obra famosa desde o momento da sua criação; e inspirou muitos, como o jovem Rafael, que se embebedou nela. Seu sorriso subtil é visto em sua crueldade e tem sido considerado o implacável sorriso de mulher que escraviza os homens. Outros foram deslumbrados pelo seu encanto, pela sua doçura. Para o crítico Walter Pater, simboliza o "espírito moderno com todos os seus traços patogênicos", considerando como a "beleza extraída desde o interior, trabalhando a carne, célula por célula". Provocado pelo mestre no modelo com o toque do alaúde, como citado por Vasari: "Mona Lisa era muito bela e Leonardo, ao mesmo tempo que a pintava, procurava que tivesse alguém cantando, tocando algum instrumento ou brincando. Desta forma, o modelo foi mantido em um bom humor e não adotava um aspecto triste, cansado [...]". (Daqui) 




Detalhe da face, mostrando o efeito subtil do sfumato
particularmente nas sombras em torno dos olhos.



Detalhe dos olhos de Lisa 




Detalhe da  boca de Lisa 





Detalhe das mãos de Lisa, com a mão direita apoiada no seu lado esquerdo. 
Leonardo escolheu este gesto em vez de um anel de casamento para descrever Lisa
 como uma mulher virtuosa e fiel esposa.




A pintura "Mona Lisa", realizada pelo pintor renascentista Leonardo da Vinci, representa uma enigmática figura feminina sobre uma paisagem que tem sido interpretada como o retrato de uma dama, provavelmente florentina. 
Apesar das reduzidas dimensões que apresenta (setenta e sete por cinquenta e três centímetros), adquiriu um significado mítico que ultrapassa em muito a sua real importância para a história da arte, eclipsando outras obras de maior interesse do seu próprio autor. Este fascínio advém em grande parte da ambígua e idealizada expressão da personagem, transmitida pelo seu misterioso sorriso. Imersa numa enigmática e complexa teia de interpretações pouco consensuais, esta pintura tem vindo a iludir todas as tentativas de atribuição cronológica e de identificação da figura representada. 
Uma das versões, que recolheram maior unanimidade ou, pelo menos, maior divulgação, deve-se ao historiador e artista Giorgio Vasari que, em meados do século XVI, atribuiu a execução desta pintura a 1505. Vasari procurou com esta cronologia acentuar o seu retrato de um Leonardo genial (ideia que ainda perdura), tornando-o no mais importante e influente pintor renascentista. De facto, esta data permitia-lhe estabelecer uma filiação leonardesca para muitas pinturas de retratos da autoria de outro importante pintor renascentista, Rafael e realizadas precisamente por volta desta data. 
Segundo autores mais recentes, as características formais e estilísticas, nomeadamente ao nível da paisagem, do tratamento da cor e da modelação do panejamento, remetem esta obra para um período mais tardio, posterior a 1510. É de facto possível estabelecer um paralelo entre esta pintura e a solução cromática do negro sobre negro do quadro "A Virgem dos Rochedos". 
Outra das dificuldades tem sido a interpretação temática (embora seja quase dogmaticamente reconhecido como um retrato) assim como a identificação da figura representada. Em 1550 Vasari atribuiu a uma pintura de Leonardo o nome de Gioconda, identificando a personagem como sendo Lisa Gherardini, mulher do mercador florentino Francesco del Giocondo, embora sem qualquer prova documental. No entanto só em 1625, Cassiano del Pozzo identificou esta pintura com o retrato da Gioconda descrito por Vasari. Apesar de esta teoria ter sido posta em causa, é geralmente aceite que este quadro é o retrato de uma dama florentina, no qual Leonardo trabalhava durante os últimos anos de vida, quando residia em França. 
Tal como todos os quadros de Leonardo da Vinci, esta pintura foi realizada sobre tábua (embora em Itália fosse já frequente a utilização de suportes em tela, desde o início da carreira do artista). Abandonando a têmpera, o pintor utilizou tintas de óleo que lhe permitiram aplicar, tanto na figura como na paisagem, um processo expressivo conhecido por  sfumato (esfumado). Este processo consistia na modelação das formas através de gradações delicadas de luz e sombra, obtidas pela mistura suave dos tons e das cores e pela diluição dos contornos, criando uma atmosfera velada e difusamente iluminada. 
O grande rigor, perfeição e meticulosidade da representação de todos os elementos contidos no quadro foram suportados pelo aprofundado conhecimento da realidade (possibilitada pelo espírito analítico e científico de Leonardo) e pela observação cuidada dos fenómenos e dos objetos que pintou.
O quadro "Mona Lisa" encontra-se exposto no Museu do Louvre em Paris. (Daqui)


"Rosas e Cantigas" - Poema de Afonso Duarte


Albert Lynch (1851-1912), Fresh from the garden



Rosas e Cantigas


Eu hei de despedir-me desta lida,
rosas? – Árvores, hei de abrir-vos covas
e deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!

A palavra de Deus é a mais sentida
deste meu coração cheio de trovas...
Só bens me dê o céu! Eu tenho provas
que não há bem que pague o desta vida.

E os cravos, manjerico e limonete,
oh, que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios do corpete!

Como és, nuvem dos céus, água do mar,
flores que eu trato, rosas e cantigas,
cá, do outro mundo, me fareis voltar.




Albert Lynch, Gathering flowers



“Uma coletânea de pensamentos é como uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males.”


(Voltaire)


Maria Bethânia - Salvem as folhas"

domingo, 14 de agosto de 2011

"Menino" - Poema de Manuel da Fonseca


Margarita Sikorskaia (n.1968), Image of a Mother



Menino 


No colo da mãe 
a criança vai e vem 
vem e vai 
balança. 
Nos olhos do pai 
nos olhos da mãe 
vem e vai 
vai e vem 
a esperança. 

Ao sonhado 
futuro 
sorri a mãe 
sorri o pai. 
Maravilhado 
o rosto puro 
da criança 
vai e vem 
vem e vai 
balança. 

De seio a seio 
a criança 
em seu vogar 
ao meio 
do colo-berço 
balança. 

Balança 
como o rimar 
de um verso 
de esperança. 

Depois quando 
com o tempo 
a criança 
vem crescendo 
vai a esperança 
minguando. 
E ao acabar-se de vez 
fica a exacta medida 
da vida 
de um português. 

Criança 
portuguesa 
da esperança 
na vida 
faz certeza 
conseguida. 
Só nossa vontade 
alcança 
da esperança 
humana realidade. 


in "Poemas para Adriano"



Margarita Sikorskaia, Image of a Father



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