quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Nuvens correndo num rio" - Poema de Natália Correia


Frans Post (1612–1680), Forte Frederick Hendrik, 1640



Nuvens correndo num rio


Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar! 

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido. 

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar? 

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar? 

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe. 




Frans PostView of Pernambuco in 1649, which looks very much like the dunes of Kennemerland.


"A esperança, enganadora como é, serve contudo para nos levar ao fim da vida pelos caminhos mais agradáveis." 



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