sábado, 31 de março de 2012

"Cavalgada" - Poema de Armindo Rodrigues


Franz Marc, Horses



Cavalgada


Já rebentei de correr
Sete cavalos a fio.
O primeiro era cinzento
Com sonhos de água sem fundo
E cor do norte o segundo
Com ferraduras de prata.
O terceiro era um mistério
E o quarto cor de agonia.
O quinto, de olhos em brasa,
Era só prata e espanto.
O sexto não se sabia
Se era cavalo, se vento.
Corria o sétimo tanto
Que nem a cor se lhe via.
Quanto mais ando mais meço
As distâncias que há em mim
Cada desejo é um fim
E cada fim um começo.


Retrato de Franz Marc  por August Macke


(August Macke (Meschede, 3 de janeiro de 1887 - Perthes-lès-Hurlus, Marne, 26 de setembro de 1914) foi um pintor expressionista alemão.)


Franz Moritz Wilhelm Marc (Munique, 8 de fevereiro de 1880 - Gussainville, 4 de março de 1916), pintor alemão, foi um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha. 
Filho de Wilhelm Marc, um pintor profissional de paisagens e de Sophie Marc, uma estrita calvinista, descendente dos huguenotes que se estabeleceram na Alsácia, decidiu iniciar seus estudos na Academia de Belas Artes de Munique, em 1900, depois de passar pela filosofia e pela teologia.

Suas primeiras criações foram paisagens, de estilo naturalista. Graças ao seu excelente domínio do francês, que lhe fora transmitido pela mãe, durante duas temporadas que passou em Paris (1903 e 1907), descobriu o impressionismo e sobretudo uma grande afinidade com a obra de Vincent Van Gogh. Em 1910, fez amizade com os pintores August Macke, Gabriele Münter e Wassily Kandinsky. Com eles e outros pintores dissidentes do movimento Neue Künstlervereinigung, fundou o grupo Der Blaue Reiter ("O cavaleiro azul"), em 1911. 

Influenciado pelo uso da cor de Robert Delaunay, gradativamente sua obra se aproxima do futurismo e do cubismo e para a crescente abstração, até culminar na abstração expressiva. O tema é a força vital da natureza, o bem, a beleza e a verdade do animal, que o autor não vê no homem. Marc sentia-se intimamente ligado aos animais e tentou representar o mundo tal como o animal o vê, mediante a simplificação formal e cromática das coisas. Usa cada cor para denotar um significado: azul para a austeridade masculina e o espiritual; amarelo para a alegria feminina; vermelho, para a violência.

Na Primeira Guerra Mundial, Franz Marc apresentou-se como voluntário. Em 1916, em Gussainville, nas proximidades de Verdun, foi abatido por um obus, quando realizava missão de reconhecimento. Morreu aos 36 anos.



Galeria de Franz Marc










The Dream (1912)



Kelly Clarkson - Because of You




"Usamos os espelhos para ver o rosto e a arte para ver a alma." 


(George Bernard Shaw)


George Bernard Shaw (Dublin, 26 de julho de 1856 — Ayot Saint Lawrence, 2 de novembro de 1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. É autor de comédias satíricas que o tornaram espírito irreverente e inconformista.

"Caminho" - Poema de José Saramago


Freydoon Rassouli 



Caminho



Há mentiras de mais e compromissos
(Poemas são palavras recompostas)
E por tantas perguntas sem respostas
Mascara-se a verdade com postiços.

Não é vida, nem sombra, nem razão,
É jaula de doidice furiosa,
Eriçada de gritos, angulosa,
Com estilhaços de vidro pelo chão.

É carrego de mais esta jornada
E protestos não servem, nem suores,
Já mordidos os membros de tremores,
Já vencida a bandeira e arrastada.

Depois se me apagaram os amores
Que a viagem fizeram desejada.


José Saramago



Galeria de Freydoon Rassouli 


















Freydoon Rassouli 


Freydoon Rassouli (nascido em 18 de novembro de 1943 em Isfahan, Irã) é um iraniano/ americano, pintor abstrato, surrealista. É um artista visionário que chegou à atenção do mundo da arte internacional nos últimos anos. O que faz de sua arte tão único é a maneira como ele traduz a experiência espiritual de seu subconsciente para a tela através da meditação ao nascer do sol. Com tons vibrantes, alegres, Rassouli produz misturas de cores e pinceladas circulares criando uma perspectiva atemporal. Ele chama sua única pintura técnica Fusionart, um estilo que Rassouli criou e registou, estando atualmente a ensinar muitos artistas no sul da Califórnia. O tema principal da Fusionart é a unidade cósmica. O estilo de pintura é derivado do misticismo, espiritualidade do Oriente próximo, e uma base em tecnologia de pintura europeia. Rassouli representa este conceito através da iluminação da Luz Divina Criativa juntamente com a sua manifestação refletida sobre a tela em forma de poder feminino e da beleza. O conceito da Luz Criativa juntamente com a beleza divina tem evoluído em Rassouli desde a infância, e está presente nas suas pinturas, relevos e esculturas, iluminuras de livros e murais.
Rassouli foi criado  numa casa histórica decorada com murais e intrincados desenhos florais. Inspirado e incentivado por seu tio místico, ele desenvolveu uma apreciação antecipada para a pintura e poesia mística, e passava horas intermináveis recebendo lições de artistas clássicos e impressionistas e estudava o misticismo. Rassouli descobriu novas maneiras de transformar  as suas imagens subconscientes em formas que ele poderia compartilhar com os outros. Reconhecido como o Melhor Artista Estudante em Isfahan, foi-lhe concedido um subsídio do governo para estudar pintura na Europa. Ele migrou para os Estados Unidos em 1963, estudou pintura e arquitetura na Universidade do Novo México e foi homenageado com o Prémio de Liderança do Instituto de Educação Internacional. Embora começasse a sua carreira profissional como arquitecto, ele criou estruturas tridimensionais para satisfazer o seu impulso artístico e, então, a sua paixão para pintar, perseverou. Com o tempo, ele criou centenas de obras que receberam o reconhecimento mundial por seu estilo único, a Fusionart.


Visionary Art by Freydoon Rassouli 


sexta-feira, 30 de março de 2012

"Dia" - Poema de Octavio Paz


Pintura de Arthur John Elsley



Dia


De que céu caído, 
oh insólito, 
imóvel solitário na onda do tempo? 
És a duração, 
o tempo que amadurece 
num instante enorme, diáfano: 
flecha no ar, 
branco embelezado 
e espaço já sem memória de flecha. 
Dia feito de tempo e de vazio: 
desabitas-me, apagas 
meu nome e o que sou, 
enchendo-me de ti: luz, nada. 

E flutuo, já sem mim, pura existência. 


in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli



Pinturas de Arthur John Elsley

Arthur John Elsley (20 de novembro de 1860 - 19 de fevereiro de 1952)  foi um pintor Inglês, famoso por suas idílicas cenas de crianças e animais domésticos. Ele alcançou grande popularidade durante sua vida e muito de seu trabalho apareceu em calendários, revistas e livros.















"Poema do Homem Só" - de António Gedeão


Edward Hopper, Solitary Figure in a Theater, 1902-1904 



Poema do Homem Só


Sós, 
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós 
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam. 
Todos se desconhecem. 
Os astros nada explicam: 
Arrefecem 
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite. 
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém. 
Quem estremece este meu estremecimento 
sou eu só, e mais ninguém. 
Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos 
dão-se em pasmados compassos; 
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas, 
abrem-se e dão-se as corolas 
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota, 
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica. 
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo, 
este ser-se sem disfarce, 
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se, 
descobrir-se, e desflorar-se, 
é nosso e de mais ninguém. 


António Gedeão
Rómulo de Carvalho (pseudónimo António Gedeão)



Galeria de Edward Hopper

Edward Hopper, Pennsylvania coal town


Edward Hopper


Edward Hopper, Table for Ladies


Edward Hopper


Edward Hopper, Rooftops (1926)


Edward Hopper, Chop Suey


Edward Hopper, Four Lane Road 


Edward Hopper, First row orchestra


"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica."




Edward Hopper, Summertime


Os Covardes nunca tentam, os fracassados nunca terminam, os vencedores nunca desistem." 




Edward Hopper, Summer-evening


"O pensamento positivo pode vir naturalmente, mas também pode ser aprendido e cultivado, mude os seus pensamentos e mudará o seu mundo." 


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