segunda-feira, 25 de junho de 2012

"O meu condado" - Poema de António Nobre



Ivan Kap, Birdwatching



O meu condado 


No campo azul da alada fantasia
Edifiquei outrora, por meu mal,
Castelos de oiro, esmalte e pedraria,
Torres de lápis-lazúli e coral.

Numa extensão de léguas, não havia
Quem possuísse outro domínio igual:
Tão belo, assim tão belo, parecia,
O território de um senhor feudal...

Um dia (não sei quando, nem sei d'onde),
Um vento agreste de indiferença e spleen
Lançou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado - o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso conde, 
Naquela idade em que é conde assim...


(António Nobre - 1867-1900) 



António Nobre


António Pereira Nobre (Porto, 16 de Agosto de 1867 — Foz do Douro, 18 de Março de 1900), mais conhecido como António Nobre, foi um poeta português cuja obra se insere nas correntes ultra-romântica, simbolista, decadentista e saudosista (interessada na ressurgência dos valores pátrios) da geração finissecular do século XIX português. A sua principal obra, (Paris, 1892), é marcada pela lamentação e nostalgia, imbuída de subjectivismo, mas simultaneamente suavizada pela presença de um fio de auto-ironia e com a rotura com a estrutura formal do género poético em que se insere, traduzida na utilização do discurso coloquial e na diversificação estrófica e rítmica dos poemas. Apesar da sua produção poética mostrar uma clara influência de Almeida Garrett e de Júlio Dinis, ela insere-se decididamente nos cânones do simbolismo francês. A sua principal contribuição para o simbolismo lusófono foi a introdução da alternância entre o vocabulário refinado dos simbolistas e um outro mais coloquial, reflexo da sua infância junto do povo nortenho. Faleceu com apenas 32 anos de idade, após uma prolongada luta contra a tuberculose pulmonar.


Capa do livro , de Antonio Nobre, publicado em 1892
(: O Livro mais triste que há em Portugal)



“Ai quem me dera entrar nesse convento. 
Que há além da morte e que se chama a Paz!”


António Nobre, Soneto n°18, in Só.



  Ivan Kap, Trouble on my way



A Prima doidinha por montes andava,
À lua, em vigília!
Olhai-me, Doutores! há doidos, há lava,
Na minha família...

Quando eu choro, choras comigo
Meu velho Cão! és meu amigo...
Tu nunca me hás de abandonar.

E os anos correram e os anos cresceram,
Com eles cresci:
Os sonhos que tinha, meus sonhos... morreram,
Só eu não morri...


António Nobre,  'António'



Ivan Kap, Orchid



Maria João & Mário Laginha - Beatriz


Maria João (Lisboa 27 de Junho de 1956), nascida Maria João Monteiro Grancha, é uma cantora portuguesa de jazz.
Mário Laginha acompanha Maria João desde 1994, formando um bem sucedido duo com a cantora. Desta parceria, podem-se destacar os álbuns "Cor"(1998) - o qual evoca os 500 anos dos descobrimentos portugueses - e "Lobos, Raposas e Coiotes" (1999), no qual gravou duas famosas canções brasileiras, "Beatriz" e "Asa Branca". 
O álbum "Chorinho Feliz", (2000), lançado em comemoração aos 500 anos da presença portuguesa no Brasil, conta com a participação de músicos como Gilberto Gil e Lenine e outros músicos como Helge A. Norbakken, Toninho Ferragutti e Nico Assumpção. 
Em 2001 foi lançado o disco do projecto Mumadji, quarteto formado por Maria João, Mário Laginha, Helge Norbakken e Toninho Ferragutti
Em 2003 foi lançado o álbum "Undercovers" com releituras de grandes sucessos da música universal - incluíndo "O Quereres", de Caetano Veloso. Em 2003, foi a diretora da academia do programa Operação Triunfo, na RTP
2004 foi o ano de "Tralha", com temas originais de Mário Laginha
Em 2007 lançou a solo o disco "João". Volta a colaborar na 3ª edição do programa Operação Triunfo
Desde 2009 que participa no projecto OGRE (com Júlio Resende, Joel Silva, João Farinha e André Nascimento), uma banda que mistura novos sons de Jazz com música electrónica. 
Também desde 2010, mantém uma colaboração com o cantor de jazz belga David Linx


Sem comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...