quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Autorretrato" - Poema de Manuel Bandeira


Abel Manta, "O Violinista René Bohet, 1930"



Autorretrato


Provinciano que nunca soube 
Escolher bem uma gravata; 
Pernambucano a quem repugna 
A faca do pernambucano; 
Poeta ruim na arte da prosa 
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crónicas 
Ficou cronista de província; 
Arquiteto falhado, músico 
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado 
Ficou de fora); sem família, 
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito 
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão 
Um tísico profissional.





Abel Manta, "Barcos da Nazaré, 1936"


Abel Manta, "Natureza Morta com Safio"


Abel Manta, "Roque Gameiro, 1935"


Abel Manta, "Aquilino Ribeiro, 1936"


Abel Manta, "As Maçãs ou Retrato da Deolinda e do Júlio"


Abel Manta, "Vista de Viseu, 1949"


Abel Manta, "Silvinha, 1953"


Abel Manta, "Grupo do Consultório ou A Leitura, 1955"


Abel Manta, "Praça Luís de Camões, 1964"


Abel Manta, "Último Autorretrato, 1975"


Foto de Abel Manta e Clementina Carneiro de Moura, Lisboa, 1973


"A pessoa mais necessária é aquela que o momento presente nos faz encontrar; e a coisa mais importante é fazer-lhe bem. Foi por isso que fomos lançados na vida."

(Liev Tolstoi)

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