segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"Do Poema" - de Casimiro de Brito


Boris KustodievThe Merchant's Wife, (1918)



Do Poema


O problema não é 
meter o mundo no poema; alimentá-lo 
de luz, planetas, vegetação. Nem 
tão-pouco 
enriquecê-lo, ornamentá-lo 
com palavras delicadas, abertas 
ao amor e à morte, ao sol, ao vício, 
aos corpos nus dos amantes.

O problema é torná-lo habitável, indispensável 
a quem seja mais pobre, a quem esteja 
mais só 
do que as palavras 
acompanhadas 
no poema.


Casimiro de Brito, Canto Adolescente, 1961



Boris Kustodiev, Looking at the Volga, 1922


«O homem moderno vive longe da natureza, pela necessidade da profissão: uma arte que lhe reduz a natureza, que lha torna portátil, que lha introduz na sala de jantar, na alcova, interpretada, escolhida, - faz ao homem o maior serviço - pô-lo em comunicação permanente com a natureza. - E a natureza é tudo: calma, consola, eleva, repousa e vivifica».

Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).


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