terça-feira, 4 de setembro de 2012

Esta Força Estranha... de Paulo Coelho



José de Guimarães, Domadora de Crocodilos


“Quando amamos e acreditamos do fundo de nossa alma em algo, nos sentimos mais fortes que o mundo, e somos tomados de uma serenidade que vem da certeza de que nada poderá vencer nossa fé. Esta força estranha faz com que sempre tomemos as decisões certas, na hora exata, e quando atingimos o nosso objetivo ficamos surpresos com nossa própria capacidade.”

 Paulo Coelho in “Diário de Um Mago”


Obra de José de Guimarães





Vida e Obra de José de Guimarães

José de Guimarães, Artista Plástico Português



JOSÉ DE GUIMARÃES 

José Maria Fernandes Marques, também conhecido pelo pseudónimo José de Guimarães, (Guimarães, 25 de Novembro de 1939) é um artista plástico português. José Guimarães licenciou-se em Engenharia no ano de 1975. Estudou pintura com Teresa de Sousa, desenho com Gil Teixeira Lopes e gravura na Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses.
José de Guimarães é considerado um dos principais artistas plásticos portugueses de Arte Contemporânea. Com uma obra notável, particularmente na pintura, fez também incursões na escultura e noutras actividades criativas a nível estético, quer nacional, quer internacionalmente. Na sua obra, a cor desempenha um papel fundamental e a sua temática principal é o corpo humano. Um dos mais galardoados estetas portugueses, José de Guimarães encontra-se representado em museus e colecções públicas espalhados por todo o Mundo. 

José de Guimarães - Escultura 
As esculturas de José Guimarães, mesmo em suportes mais convencionais, asseguram o princípio básico da tridimensionalidade e trazem todo o universo e arrojo do artista. Tratam-se de obras escultóricas constituídas por pintura em suporte de cartão recortado e apoiadas numa base, podendo, por isso, ser consideradas obras híbridas entre a pintura e a escultura. Mais raras são as esculturas em suporte tradicional. A temática destes trabalhos, para além daquela que é habitual na sua actividade pictórica, passa a englobar répteis, malabaristas, ilusionistas, pescadores e pássaros. Tal como na pintura, também no trabalho escultórico se manifestaram as influências da História de Portugal, com figuras representativas de Camões ou D. Sebastião. José de Guimarães formou um «conjunto de entidades fantásticas» («José de Guimarães», Gillo Dorfles, Colectânea de Autores, Ed. Afrontamento, 1992, p.14) libertas, agora, de qualquer aspecto tradicionalmente ligado à escultura. Por vezes, as figuras são suspensas por fio de nylon, suportadas por bases de madeira, com esqueleto em arame ou em simples cartão recortado, com pós brilhantes ou vidro picado, de enorme êxito internacional. 

José de Guimarães - Pintura 
Foi através do estudo de outros pintores, que José de Guimarães aperfeiçoou a sua pintura, o seu estilo e criou o seu próprio código imagético. A sua inspiração na pintura de outros autores tão diversos como Klee e Kandinsky, Picasso e Miró surgem-nos como uma viagem iniciática pela cor, pelo movimento e, acima de tudo, pela revolta, pela espontaneidade e pela pujante criatividade que ressalta dos seus quadros. No seu vasto percurso de aprendizagem é de vital importância referir as suas viagens pelas principais capitais europeias que se revelaram formadoras. O contacto com diversas obras de mestres contemporâneos e com diversas escolas depressa é assimilado por Guimarães, confluindo para a sua construção criativa e incitando-a a beber nos grandes mestres todos os ensinamentos. Essencial será também referir a importância e o fascínio que sobre ele exercem a cultura e a arte africana. Assim, na sua génese o trabalho de José de Guimarães poderá ser considerado, fundamentalmente, como uma síntese da arte europeia com a etnografia africana. Citando Marcel Van Jole, o artista procura «transmitir- nos as sensações de um europeu ocupado em transpor o fosso que o separa do mundo sócio-estético do negro africano» («José de Guimarães» , Colectânea de Autores, Ed. Arte & Biblio Press, Antuérpia, 1979, pp.17-19). Deste universo africano reteve também José de Guimarães a simbologia aficana. Ainda segundo Van Jole, «deste sistema de sinais e símbolos apenas retém um número restrito de elementos, todavia, o bastante para nos introduzir, com uma linguagem pictural e semântica que é própria da tradução…». Sobre este "alfabeto" disse José de Guimarães:
 «Diga-se antes que sou um pintor europeu tomado por África. A gramática que hoje utilizo, embora na minha linguagem europeia, tem um acentuado rasto africano. Acima de tudo descobri com eles, que a arte é uma linguagem simbólica. Hoje os meus quadros integram determinados símbolos que não tinham». Continuando a privilegiar o corpo humano, como núcleo central da sua obra, e «apenas vendo nos modelos do mestre os pedaços ligados da sua própria pintura de braços, peitos, nádegas, sexos e algumas cabeças e mãos» (Op. cit. p.57), e parafraseando José Augusto-França, José de Guimarães junta-lhe a simbologia inspirada na cultura africana. Citando Anny Milavanoff, «para lá das distinções formalistas e das atribuições de escola - influência da Pop Art, da Nova Figuração, do Neo Expressionismo -, a obra habitada, evolutiva, que procurou descobrir-se entre a África e a Europa, encontrou as suas linhas de força, os seus registos, o seu "alfabeto" de maneira autónoma. Nela o corpo é o próprio teatro, espaço de uma luta intrínseca, olho contra olho, braço contra braço, perfil contra perfil. O que ele revela de tensão, energia, erotismo, faz pois de cada figura um mensageiro.» («José de Guimarães«, Galeria Quadrado Azul, Catálogo de Exposição, 1994, p.7).
Desde muito cedo, o pintor sentiu-se impressionado por Rubens, e após variadas visitas a museus onde o pintor se encontra representado, especialmente em Antuérpia, surge o que o crítico Marcel Van Jole exprime: «tão forte é a impressão colhida das obras rubensianas das grandes salas solenes que, anos a fio, absorvê-la-á no seu subconsciente para flamejar em 1977 num fogo de artifício depois de uma fervorosa e respeitosa peregrinação...»(Op. cit. p.17).
Algumas das exposições de José de Guimarães são subordinadas a uma temática exclusiva como, por exemplo, a de «Rubens e José de Guimarães» em 1978, o «Circo», o «Desporto», entre muitas outras. Se o mundo etnográfico africano muito contribuiu para a obra de Guimarães, a literatura portuguesa, nomeadamente, «Os Lusíadas», foi também uma fértil fonte de inspiração. Neste ambiente enquadram-se, entre outras, o guache «Camões e D. Sebastião» de 1980, o «Naufrágio de Camões», 1980, «Camões», 1981 ou as esculturas em papel pintado «D. Sebastião», 1985, «Camões», 1985, «Rei D. Pedro, 1985 e «Inês de Castro», 1980. 


José de Guimarães, Pesca Submarina, 1980


José de Guimarães, Sem Título


José de Guimarães, da série Hong Kong, guache s/papel


Obra de José de Guimarães, Da série África Brasil


José de Guimarães, Camões e D. Sebastiao


Obra de José de Guimarães, Sem Título


Obra de José de Guimarães, Sem Título


Obra de José de Guimarães, Sem Título


Obra de José de Guimarães, Sem Título


Obra de José de Guimarães, Retrato de Camões, 1981


Obra de José de Guimarães, «Ricardo Reis», 1985 



Pensamento

"O meu corpo é um jardim, a minha vontade o seu jardineiro." 

(William Shakespeare)



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