terça-feira, 20 de novembro de 2012

"A Melancolia" - de Camilo Castelo Branco


Vito de Campanella


A Melancolia 


«A melancolia é sorna e estéril. Camões escreveu a sua epopeia nos dias da esperança. Quando a tristeza desanimadora o entrou, já não pôde escrever para o fidalgo, que lha pedia, uma paráfrase dos salmos. 
Uma inteligência em quietismo não danifica os interesses materiais dum país, e até certo ponto pode considerar-se providencial o pousio; mas um cidadão analfabeto, embrutecido pela melancolia, se a sua qualidade civil é importante como deve ser, pode prejudicar gravemente os interesses da cidade. 
Ainda bem que a melancolia raro se atreve a perturbar o funcionalismo intelectivo de certas cabeças, cuja organização é maravilha. Daí provém a traça metódica e auspiciosa com que o homem supinamente ignorante regula os seus negócios. Há nessa cabeça a perene claridade dum fundo de garrafa de cristal. As ideias impedem-lhe congeladas da abóbada craniana como as estalactites duma caverna. Dessa imobilidade imperturbável de cérebro resulta a fixidez da mira posta num alvo, a pertinácia das empresas e o conseguimento dos bons efeitos. 
Ainda não vi tão cabal e logicamente explicado o fortunoso êxito de algumas riquezas granjeadas pela inépcia. 
Não obstante, o número dos bastardos da fortuna é muito maior. O leitor é de certo um dos que tem em cada dia uma hora de enojo, de quebranto, de melancolia, de concentração dolorosa, de desapego à vida, de misantropia e de diálogo terrível com o fantasma da aniquilação.» 

Camilo Castelo Branco, in 'Coração, Cabeça e Estômago'.




Camilo Castelo Branco (1825-1890) é um nome incontornável da história da literatura portuguesa, autor de uma obra colossal de mais de cento e trinta títulos, além das suas participações regulares na imprensa e da sua vasta correspondência. Visceral e impulsivo, retratador acutilante e eloquente dos costumes da sociedade e dos meandros das almas, polemista massacrador sem adversários à altura, Camilo viveu também os seus amores ao extremo.

Da vasta obra de Camilo ressaltam centenas e centenas de pequenas frases e textos, que exalam a sabedoria de uma autêntica experiência e lição de vida, que, muito para além da observação lúcida e da análise do sentimento que podem estar associadas a uma época, tornam-se um autêntico compêndio das aventuras e desventuras daquilo a que se chama viver. Permanece actual pela intemporalidade com que se revestem os instantâneos do espírito tão bem dissecados e magistralmente descritos pela pena de Camilo, mergulhando fundo nos sentimentos, nobres ou reprováveis, que movem os indivíduos e a humanidade em geral desde os primórdios da História.



Galeria de Vito Campanella

Vito de Campanella


"O ciúme vê com lentes, que fazem grandes as coisas pequenas, gigantes os anões, verdades as suspeitas." 

(Camilo Castelo Branco) 



Vito de Campanella


"É falso o amor que leva o homem à indignidade."

(Camilo Castelo Branco)


Vito de Campanella


"O amor que enlouquece e permite que se abram intercadências de luz no espírito, para que a saudade rebrilhe na escuridão da demência, é incomparavelmente mais funesto que o amor fulminante." 

(Camilo Castelo Branco) 



Vito de Campanella


"O amor é a primeira condição da felicidade do homem."

(Camilo Castelo Branco)



Vito de Campanella


"Depois do céu, quem mais pasmosos milagres faz é o amor."

(Camilo Castelo Branco)



Vito de Campanella


"A caridade é a felicidade dos que dão e dos que recebem."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella


"O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella


"A felicidade é parecida com a liberdade, porque toda a gente fala nela e ninguém a goza."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella 


"O poeta desmente as leis fisiológicas, vivendo do princípio vital de uma única entranha: o coração."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella


"O tempo chega sempre; mas há casos em que não chega a tempo."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella


"Não há amor que resista a vinte e quatro horas de filosofia."

(Camilo Castelo Branco)


Vito Campanella 


"Duas pessoas que se amam, só começam a dizer coisas ajuizadas desde que se aborrecem."

(Camilo Castelo Branco)



Vito de Campanella


"O amor nascente é tão melindroso, pueril e tímido, que receia desagradar até com o pensamento ao ídolo da sua concentrada adoração."

(Camilo Castelo Branco)



Vito de Campanella


"O homem que ama é um tolo sublime."

(Camilo Castelo Branco)



Vito de Campanella


"Ao pé de um bom estômago coincidiu sempre uma boa alma."

(Camilo Castelo Branco)



Vito Campanella


Vito Campanella


Vito de Campanella


Vito de Campanella


Vito Campanella


Vito Campanella


Vito Campanella, Retrato Metafísico



Vito Campanella


Vito Campanella nasceu em Monopoli, Itália, em 1932. Vive e trabalha na Argentina. Estudou na Escuela de Artes y Ofícios, onde aprendeu modelar e entalhar madeira. Alternou seus estudos com passeios pelo campo, onde pintou cenas de natureza. Mudou-se para Florença onde passa a frequentar o movimento artístico da cidade. Através do escultor Rossi conhece o mestre Giorgio De Chirico. Frequenta os cursos de Anatomia da Academia de Bellas-Artes de Brera, em Milão. Em 1954 conhece Salvador Dali, em Roma. Em 1955 transfere-se para Buenos Aires e a partir de 1956, incorpora-se ao movimento artístico argentino e latino-americano. Em 1976 recebeu Menção especial no Salão Euro-Americano em Caracas e Placa de Honra ao Mérito em Buenos Aires. Em 1979 obteve a Medalha de Prata no Concurso Internacional de Pintura UNICEF, Turim, Itália e em 1999 ganhou o Prémio Lorenzo, il Magnífico, na Bienal de Arte Contemporânea de Florença e Segundo Prémio Aquisição na Mostra Anual de Jovens Pintores de Bari.


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