domingo, 24 de março de 2013

"Irmão, Irmãos" - Poema de Carlos Drummond de Andrade


Ferdinand Georg WaldmüllerFamília na janela em Fenster, 1840



Irmão, Irmãos


Cada irmão é diferente. 
Sozinho acoplado a outros sozinhos. 
A linguagem sobe escadas, do mais moço, 
ao mais velho e seu castelo de importância. 
A linguagem desce escadas, do mais velho 
ao mísero caçula. 

São seis ou são seiscentas 
distâncias que se cruzam, se dilatam 
no gesto, no calar, no pensamento? 
Que léguas de um a outro irmão. 
Entretanto, o campo aberto, 
os mesmos copos, 

o mesmo vinhático das camas iguais. 
A casa é a mesma. Igual, 
vista por olhos diferentes? 

São estranhos próximos, atentos 
à área de domínio, indevassáveis. 
Guardar o seu segredo, sua alma, 
seus objectos de toalete. Ninguém ouse 
indevida cópia de outra vida. 

Ser irmão é ser o quê? Uma presença 
a decifrar mais tarde, com saudade? 
Com saudade de quê? De uma pueril 
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre? 


Carlos Drummond de Andrade, 
in 'Boitempo'



 
Carlos Drummond de Andrade
Brasil
1902 // 1987
Escritor/Poeta/Prosador



Galeria de Ferdinand Georg Waldmüller
Ferdinand Georg Waldmüller - Vendedor de frutas Veneziano


Ferdinand Georg Waldmüller - Tempo de rosas, 1864


Ferdinand Georg Waldmüller - No campo - Óleo sobre tela - Coleção particular - 1862


Ferdinand Georg Waldmüller - Os vizinhos - Óleo sobre madeira - 42 x 53 - 1859


Ferdinand Georg Waldmüller - Montanhas do Arco em Riva
Óleo sobre tela - 44,5 x 58 - 1841


Ferdinand Georg Waldmüller - Dia de sol - 1848 - Coleção particular


Ferdinand Georg Waldmüller - Wolfgangsee, 1835


Pintura de Ferdinand Georg Waldmüller


Ferdinand Georg Waldmüller - Mãe do capitão de Stierle-Holzmeister, 1819


Ferdinand Georg Waldmüller - Von Odkolek com sua mulher e dois filhos, 1826


Ferdinand Georg Waldmüller - Retrato de Ludwig van Beethoven, 1823



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