sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Poema sobre a recusa" - Poema de Maria Teresa Horta



Maria Helena Vieira da Silva - Habitação axadrezada, 1935



Poema sobre a recusa


Como é possível perder-te 
sem nunca te ter achado 
nem na polpa dos meus dedos 
se ter formado o afago 
sem termos sido a cidade 
nem termos rasgado pedras 
sem descobrirmos a cor 
nem o interior da erva. 

Como é possível perder-te 
sem nunca te ter achado 
minha raiva de ternura 
meu ódio de conhecer-te 
minha alegria profunda. 


1937
In "Vozes e Olhares Femininos" 
Edições Afrontamento, Porto, 2001



Maria Helena Vieira da Silva - Desastre, 1932


"A observação do Outro: a diferença é o que nos une e separa. Quando o eu descobre o outro começa a guerrilha sem fim. O nó que se faz-desfaz. A escolha: o gelo da solidão ou a horrível queimadura da vida."






"A obra de arte é um acontecimento que consome ao ser consumida." 




Maria Helena Vieira da Silva - Estúdio em Lisboa, 1936


"Não medir a altura do sonho. Não medir a distância de um sorriso. Quando a espuma das ondas chega à areia qualquer coisa de irreversível acontece."




Maria Helena Vieira da Silva - Les yeux, 1937


"Keats disse que uma coisa bela é uma alegria eterna. Hoje a beleza é a voz sufocada de uma perdida sabedoria."



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