quarta-feira, 15 de maio de 2013

"A Cidade do Sonho" - Poema de António Feijó


Joe De Mers (Ilustrador Americano, 1910-1984)


A Cidade do Sonho



Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te
O caminho que leva à Cidade do Sonho...
De tão alta que está, vê-se de toda a parte,
Mas o íngreme trajeto é florido e risonho.

Vai por entre rosais, sinuoso e macio,
Como o caminho chão duma aldeia ao luar,
Todo branco a luzir numa noite de Estio,
Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.

Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,
Deves empreender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Prometida:
Em beijos o maná chove na nossa boca...

Vistos dessa eminência, o mundo e as suas sombras,
Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol;
O mais estéril chão tapeta-se de alfombras,
Não há nuvens no céu, nunca se põe o Sol.

Nela mora encantada a Ventura perfeita
Que no mundo jamais nos é dado sentir...
E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,
A própria Dor começa a cantar e a sorrir!

Que importa o despertar? Esse instante divino
Como recordação indelével persiste;
E neste amargo exílio, através do destino,
Ventura sem pesar só na memória existe...


António Feijó, in 'Sol de Inverno'



António Feijó 
 António Feijó
  Portugal 1859 // 1917 
 Poeta/Diplomata



Ilustração de Joe De Mers


"Só há um meio de viver no passado e no futuro - é guardar recordações e sonhos."

(Coelho Neto)



Ilustração de Joe De Mers


"A vida é a variedade. Assim como o paladar pede sabores diversos, assim a alma exige novas impressões." 

(Coelho Neto)



Ilustração de Joe De Mers


"Não perguntes à Felicidade quem ela é nem de onde veio: abre-lhe a porta para que ela entre e fecha-a bem aferrolhada, para que não fuja."






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