sexta-feira, 10 de maio de 2013

"A Luz que vem das Pedras" - Poema de Pedro Tamen


Balthus - The Dream I, 1955



A Luz que vem das Pedras 


A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, 
tu a colhes, mulher, a distribuis 
tão generosa e à janela do mundo. 
O sal do mar percorre a tua língua; 
não são de mais em ti as coisas mais. 
Melhor que tudo, o voo dos insectos, 
o ritmo nocturno do girar dos bichos, 
a chave do momento em que começa o canto 
da ave ou da cigarra 
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere 
a corda do que em ti faz acordar 
os olhos densos de cada dia um só. 
Quem está salvando nesta respiração 
boca a boca real com o universo? 


Pedro Tamen, 
in "Agora, Estar"


Pedro Mário Alles Tamen (Lisboa, 1 de dezembro de 1934) é um poeta e tradutor literário português. Pedro Tamen estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se licenciou. Entre 1958 e 1975 foi director da (extinta) editora Moraes e administrou a Fundação Calouste Gulbenkian de 1975 a 2000. Paralelamente presidiou o P.E.N. Clube Português (1987 - 1990) e foi membro da direcção e presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa de Escritores.
Tamen estreou com a obra poética Poema para Todos os Dias em 1956, seguidos por vários edições de poemas e livros. Com Retábulo das Matérias (2001) o autor publicou uma coleção dos seus poemas de 1956 - 2001. É tradutor de várias obras literários de - entre outros - Gabriel Garcia Marquez, Marcel Proust e Gustave Flaubert e foi condecorado com vários prémios literários.





Balthasar Klossowski de Rola (29 de fevereiro de 1908 em Paris - 18 de fevereiro de 2001 em Rossinière, Suíça), mais conhecido como Balthus pertence a uma família polaca de aristocratas. Desde a infância contacta de perto com o mundo da arte: o seu pai é pintor, crítico e historiador da arte (escreveu uma monografia sobre Honoré Daumier), a sua mãe é também pintora. O seu irmão mais velho é o pintor e escritor Pierre Klossowski. Na sua adolescência, passada em França e na Suíça, convive com escritores como André Gide ou Reiner Maria Rilke, cujos escritos ilustra. Conhece pintores como Pierre Bonnard, que o influencia com as suas pinturas parisienses dos anos de 1930 (vistas do Jardin du Luxemburg). Em 1926, durante uma estadia na Toscana, copia os frescos de Piero della Francesca, de Ucello, de Masaccio e de Masolino. A sua vida divide-se entre a Suíça, a Alemanha e a França. Expõe pela primeira vez em Berlim no ano de 1929. 

Em 1934, apresenta pela primeira vez, na Galerie Pierre (de Pierre Loeb), em Paris, uma série de pinturas em que os temas e o estilo se mostram mais pessoais: cenas da vida quotidiana, como La Rue [A Rua], 1933, cenas de interior e retratos. Neles se discerne uma filiação ao realismo fantástico dos alemães George Grosz, Otto Dix ou Max Beckman, e à estética do grupo Forces Nouvelles de Paris (George Rohner, Pierre Tal-Coat, Robert Humblot, Jean Lasne, Alfred Pellan, Henri Héraut, Henry Jannot) que milita a favor do realismo, em reação à vaga explosiva da abstração e do surrealismo. As lições de Derain, que conhece em 1933, são também visíveis. 

Em Paris, Balthus pinta as pequenas ruelas do bairro de Saint-Germain des Prés, onde habita a partir de 1933, de onde emana uma atmosfera de estranheza, de tempo suspenso e de inquietude. Os seus retratos são, na altura, considerados chocantes. Em quadros como Alice, la leçon de guitare [A lição de guitarra], ou La Toilette de Cathy [A higiene pessoal de Cathy], traduz a passagem da infância à adolescência e evoca a homossexualidade feminina.

 A partir de 1932, as pinturas de Balthus captam a atenção de Antonin Artaud, que então conhece o pintor. O escritor é o primeiro a falar da obra de Balthus em revistas como a N.R.F. [Nouvelle Revue française], e em 1935 requisita-lhe a conceção dos cenários dos Cenci. Em 1933, André Breton e outros surrealistas visitam o seu atelier, mas desiludem-se com o seu naturalismo. No entanto, o escândalo da exposição de 1934 e o erotismo das cenas pintadas não podem deixá-los indiferentes (La Toilette de Cathy é apresentado por trás de uma cortina nas traseiras da galeria): reproduzem La Rue na revista Documents 34, fazendo de Balthus um «compagnon de route». No entanto, este é demasiado independente para se associar ao grupo. 

A exposição de 1938, na galeria de Pierre Matisse, em Nova Iorque, marca o início da carreira internacional daquele que hoje figura como um dos maiores pintores do século XX. O reconhecimento, todavia, tardará, devido ao seu caráter inclassificável face às vanguardas, tanto no que se refere ao seu universo pessoal como ao seu estilo. 

Será necessário esperar até à década de 1960 para se assistir à sucessão de retrospetivas por todo o mundo. Balthus foi diretor da Villa Médicis, em Roma, entre 1961 e 1976, a pedido do seu amigo André Malraux. Balthus considerava-se não como um artista, mas como «um trabalhador». Dizia: «A arte é um ofício. […] Há muito que a noção de vanguarda em pintura já não significa nada. Os falsos amantes da arte, os especuladores, compram aquilo que não sabem decifrar, com medo de perder um achado. É o grande mal-entendido da arte moderna. Tal fenómeno favoreceu a eclosão da ditadura da não-figuração, à qual se opõem as ditaduras expressionista, surrealista, minimalista, não menos repulsivas e todas igualmente prometedoras de renascimentos desagradáveis... Quando pinto não procuro exprimir-me, mas sim exprimir o mundo» (entrevista a Véronique Prat, fevereiro de 1998, Le Figaro)(Daqui)



Balthus - The golden years, 1945


Balthus - Le Chat de la Méditerranée, 1949


Balthus - The week with four thursdays, 1949


Balthus - Landscape with a Tree, 1957 


Girl with a Mandolin - (última obra de Balthus), 2000-2001

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