terça-feira, 14 de maio de 2013

"O desejo do homem é contrário à sua unidade" - de Agustina Bessa Luís


The Proposal by Alois Heinrich Priechenfried (Austrian, 1867-1953)



O desejo do homem é contrário à sua unidade


Houve tempo em que o homem inventou o amor cortês para não perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atraídas pela formidável influência da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade estável. As mulheres amam essa personalidade estável que Freud soube preservar nas suas relações com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspondência de Freud com Marta é muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confidências. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupação. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: «O facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres é também um índice de melhoria». Freud não deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade venerável. As mulheres acham que é sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo não lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto não é uma síntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza - o que não proíbe toda a espécie de averbamentos necessários à verdade. 
Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja. É certo que o homem, nas suas acções, na sua bravura animal, mesmo perdido no labirinto dos sentidos, nos parece admirável e digno de encorajamento. Mas sabemos que o desejo é o seu lado mais anárquico e contrário à unidade do próprio homem. As mulheres reconhecem isso e desacreditam tanto o homem que deseja, como o que é desejável. Entretanto, é uma questão de gosto iludirmo-nos sobre o gosto. E sobre o desejo também.


Agustina Bessa-Luís, in 'Contemplação Carinhosa da Angústia'



Galeria de Alois Heinrich Priechenfried
Courting Scene by Alois Heinrich Priechenfried


"As juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão como a mais simples palha." 

William Shakespeare


Alois Heinrich Priechenfried


"O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação." 

William Shakespeare


Alois Heinrich Priechenfried


"O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, é cego e tão potente."

William Shakespeare


Alois Heinrich Priechenfried, The Rehea 


"A arte é o espelho e a crónica da sua época." 

William Shakespeare


Alois Heinrich Priechenfried, The Game of Chess


"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente." 

William Shakespeare
(1564 // 1616, Inglaterra)
Dramaturgo/Poeta/Ator/Compositor 

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