domingo, 5 de maio de 2013

"Perfumes e Amor" - Poema de Casimiro de Abreu


Acácia ou Mimosa (Acacia podalyriifolia A.Cunn)



Perfumes e Amor 


A flor mimosa que abrilhanta o prado 
Ao sol nascente vai pedir fulgor; 
E o sol, abrindo da açucena as folhas, 
Dá-lhe perfumes - e não nega amor. 

Eu que não tenho, como o sol, seus raios, 
Embora sinta nesta fronte ardor, 
Sempre quisera ao encetar teu álbum 
Dar-lhe perfumes - desejar-lhe amor. 

Meu Deus! Nas folhas deste livro puro 
Não manche o pranto da inocência o alvor, 
Mas cada canto que cair dos lábios 
Traga perfumes - e murmure amor. 

Aqui se junte, qual num ramo santo, 
Do nardo o aroma e da camélia a cor, 
E possa a virgem, percorrendo as folhas, 
Sorver perfumes - respirar amor. 

Encontre a bela, caprichosa sempre, 
Nos ternos hinos d'infantil frescor 
Entrelaçados na grinalda amiga 
Doces perfumes - e celeste amor. 

Talvez que diga, recordando tarde 
O doce anelo do feliz cantor: 
"Meu Deus! Nas folhas do meu livro d'alma 
Sobram perfumes - e não falta amor!" 





Açucena ou Lírio (Lilium candidum)


 
Camélia (Camellia Japonica)


Petúnia púrpura (Petunia hybrida)


Peonía (Paeonia suffruticosa)


Ranúnculos (Ranunculus Asiaticus)



Prímulas 
(Primula acaulis)


Flor-de-Lis, Lírio-Asteca, Lírio-de-Saint-James, Lírio-Jacobino, ou Lírio-Orquídea 
(Sprekelia formosíssima)


Alfazema ou lavanda (Lavandula)

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