terça-feira, 11 de junho de 2013

"Ditosa Ave" - Soneto de Luís de Camões


Jean Baptist Camille Corot, Pintor francês, 1796-1875



Ditosa Ave


Quem fosse acompanhando juntamente 
Por esses verdes campos a avezinha, 
Que depois de perder um bem que tinha, 
Não sabe mais que cousa é ser contente! 

E quem fosse apartando-se da gente, 
Ela por companheira e por vizinha, 
Me ajudasse a chorar a pena minha, 
E eu a ela também a que ela sente! 

Ditosa ave! que ao menos, se a natura 
A seu primeiro bem não dá segundo, 
Dá-lhe o ser triste a seu contentamento. 

Mas triste quem de longe quis ventura 
Que para respirar lhe falte o vento, 
E para tudo, enfim, lhe falte o mundo! 


Luís Vaz de Camões, 
in "Sonetos"



Jean Baptist Camille Corot
Jean Baptist Camille Corot, retratado por Félix Nadar 


Jean-Baptiste Camille Corot (Paris, 16 de Julho de 1796Ville-d'Avray, 22 de Fevereiro de 1875) foi um pintor realista francês.



Jean Baptist Camille Corot, Autorretrato


Filho de uma família de comerciantes abastados, Jean-Baptiste Camille Corot, teve uma infância confortável e estável, tendo trabalhado numa loja do pai. Corot fez seus estudos na cidade de Rouen, onde foi hospedado pela família Sennegon, uns vendedores de tecidos, amigos do seu pai.
Denis Sennegon casou-se com a irmã de Camille Corot, Annette-Octavie.


Jean Baptist Camille Corot, Woman with a Pearl


Corot fez retratos de vários membros da família Sennegon. Destes, onze são conhecidos e dois estão expostos no Museu do Louvre. Nesses retratos, Corot (que nessa época raramente pintava figuras ou paisagens), teve oportunidade de se sentir à vontade com os modelos. Tais obras estão entre as mais notáveis de suas figuras.


Jean Baptist Camille Corot, Coliseum Seen Through the Archways, 1825


Durante viagem à Itália pintou "O Coliseu" (1825), mostrando a sua formação essencialmente clássica e algumas inovações a nível da luz.


Jean Baptist Camille Corot, The Bridge at Narni, 1826.


De volta à França, abandonou o academicismo em favor de um estilo paisagístico realista. Construiu então, uma pintura puramente paisagista, rural e citadina e marcada pela mestria na gradação tonal de luzes e sombras e pelo rigor construtivo da composição. 

Jean Baptist Camille Corot, Forum Viewed From The Farnese Gardens, 1826

As suas obras apresentavam-se expressivas e possuidoras de uma linguagem muito própria, caracterizadas pela serenidade. Facto este devido à sua anterior permanência em Itália.


Jean Baptist Camille Corot, Forest of Fontainebleau, 1830


Após várias exposições sem muito sucesso no Salão de Paris, começou a receber a atenção da crítica (1840), devido a quadros como "O Bosque de Fontainebleau" e "O Pastorzinho", e ganhou a cruz da Legião de Honra (1846).



Jean Baptist Camille Corot, Chartres Cathedral, 1830



Pintou, também, monumentos de variadas cidades europeias, entre os quais se destacam da Catedral de Chartres (é feita referência a esta conhecida pintura no romance Caminho de Swann de Marcel Proust, em que o jovem narrador descreve a obsessão de sua avó em não dar-lhe nunca fotografias de monumentos, mas fotografias de pinturas de monumentos, como é o caso do quadro de Corot).

Jean Baptist Camille Corot,  Venise, La Piazzetta, 1835.


A evolução da paisagem clássica para a realista deve-se, em parte, ao seu trabalho em Itália.

Jean Baptist Camille Corot,  Morning, 1850

Jean Baptist Camille Corot, Souvenir de Mortefontaine, 1864


Jean Baptist Camille Corot, The Eel Gatherers, 1865



Jean Baptist Camille Corot, Ville d'Avray, 1867

Tornou-se grande amigo de vários pintores, entre eles Théodore Rousseau e Charles-François Daubigny. Também foi amigo e discípulo de Corot o pintor Henri Nicolas Vinet que se mudou para o Brasil e aí permaneceu até o final de sua existência.



Jean Baptist Camille Corot, The Belfry of Douai, 1871 


Jean Baptist Camille Corot Bornova, İzmir, 1873

Excelente paisagista, deixou trabalhos da melhor qualidade, mostrando o quanto foi proveitoso o seu aprendizado com o insigne mestre francês.
Com uma carreira artística recheada com as melhores coisas que a vida nos pode dar, Corot morreu em Paris, em 1875.


 Jean Baptist Camille Corot, Dança das Ninfas 


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