sexta-feira, 14 de junho de 2013

"O Orgulho e a Vaidade" - de Fernando Pessoa


Pintura de D'Assumpção, 1949



O Orgulho e a Vaidade


O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em ação.


Fernando Pessoa, in "Da Literatura Europeia" 



 Manuel Trindade D’Assumpção



"A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia."

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego
(Heterónimo de Fernando Pessoa)



 Manuel Trindade D’Assumpção, Fandango


"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflete o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste." 

Fernando Pessoa


Manuel Trindade D’Assumpção, 1963, composição


"Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes - tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura."


Fernando Pessoa, Ideias Estéticas - Da Arte



 Manuel Trindade D’Assumpção, 1950


"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."


Bernardo Soares, in Livro do Desassossego 
(Heterónimo de Fernando Pessoa)



 Manuel Trindade D’Assumpção


"Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo, mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria."


Bernardo Soares, in Livro do Desassossego 
(Heterónimo de Fernando Pessoa)



Manuel Trindade D’Assumpção, Gatos, 1960


"O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não."

Fernando Pessoa, Textos Filosóficos


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