quinta-feira, 25 de julho de 2013

"Vive o Instante que Passa" - de Vergílio Ferreira


Edwin Jakob Bachmann (Suíça, 1873-1957), Land near Bächau



Vive o Instante que Passa


Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim. 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV' 



Bolero de Ravel (animação)



sexta-feira, 19 de julho de 2013

"O que sempre soube das mulheres" - de Rui Zink


Lilias Torrance Newton (canadense, 1896-1980), Lady in Black (c.1936)



O que sempre soube das mulheres 


Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São ótimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse ato de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco.

Rui Zink, in "Jornal Metro"





Rui Barreira Zink (Lisboa, 16 de Junho de 1961), escritor e professor universitário português.
É Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (desde 1997), onde se licenciou em Estudos Portugueses (1984) e obteve os graus de mestre em Cultura e Literatura Popular (1989) e de doutor em Literatura Portuguesa (1997). Foi igualmente Professor do Ensino Secundário (1983-1987), Leitor de Língua Portuguesa na Universidade de Michigan (1989-1990) e Professor Convidado na Universidade de Massachussetts Dartmouth (2009-2010).
Autor de vários livros, entre ensaios e ficção, salienta os romances Hotel Lusitano (1987), Apocalipse Nau (1996), O Suplente (1999) e Os Surfistas (2001), e os livros de contos A Realidade Agora a Cores (1988) e Homens-Aranhas (1994) e O Anibaleitor (2006). Colaborou em jornais e revistas, de que salienta o semanário O Independente (1991) e a revista K (1992). Fez tradução literária, de autores como Matt Groening, Saul Bellow e Richard Zenith.
Rui Zink recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português pelo romance Dávida Divina (2005), e representou o país em eventos como a Bienal de São Paulo, a Feira do Livro de Tóquio ou o Edimburgh Book Festival.

Os Tentáculos da Escrita... de Ana Hatherly



João Baptista (aqui numa representação de Hieronymus Bosch), na transição entre o  
Judaísmo e o Cristianismo, é um exemplo do homem que procura a santidade 
através da renúncia ao alimento e à sensualidade.





Os Tentáculos da Escrita


 

A escrita é um polvo, um molusco versátil. Tem infinitos recursos. Escapa sempre. Abstratiza-se. Disfarça-se, adensa-se, adelgaça-se, esconde-se. Impele-se rápida. Compreende tudo: ascese, consolo íntimo, entrega; fluxos, refluxos, invasões, esvaziamentos, obstinação feroz. O seu rigor é místico. É uma infinita demanda. Perscruta o inaudito. Sideral Alice atravessa todas as portas, todos os espelhos. Cruza, descobre, inventa universos. A escrita é um fragmento do espanto, já alguém o disse.




Ana Hatherly, in 'Tisanas'





Hieronymus Bosch, A Estrada da Vida

terça-feira, 16 de julho de 2013

"Os Teus Pés" - Poema de Pablo Neruda


(Amantine (also "Amandine") Lucile Aurore Dupin, later Baroness Dudevant (1 July 1804 – 8 June 1876), best known by her pseudonym George Sand, was a French novelist and memoirist.)



Os Teus Pés 


Quando não te posso contemplar 
Contemplo os teus pés. 
Teus pés de osso arqueado, 
Teus pequenos pés duros, 
Eu sei que te sustentam 
E que teu doce peso 
Sobre eles se ergue. 
Tua cintura e teus seios, 
A duplicada púrpura 
Dos teus mamilos, 
A caixa dos teus olhos 
Que há pouco levantaram voo, 
A larga boca de fruta, 
Tua rubra cabeleira, 
Pequena torre minha. 
Mas se amo os teus pés 
É só porque andaram 
Sobre a terra e sobre 
O vento e sobre a água, 
Até me encontrarem.


Pablo Neruda 



Eugène Delacroix - La liberté guidant le peuple



"O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar."


(Eugène Delacroix)



Eugène Delacroix, Autorretrato



Ferdinand Victor Eugène Delacroix (Saint-Maurice, 26 de abril de 1798Paris, 13 de agosto de 1863) foi um importante pintor francês do Romantismo.
Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de William Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "…nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.


Eugène Delacroix, Salon du Roi, Palais Bourbon, Paris, 1833–37



"O que há de mais real para mim são as ilusões que crio com a minha pintura. O resto são areias movediças."

(Eugène Delacroix)


segunda-feira, 15 de julho de 2013

"Musa dos Olhos Verdes" - Poema de Machado de Assis


Rembrandt Peale, Girl at a Window (Rosalba Peale), 1846



Musa dos Olhos Verdes 


Musa dos olhos verdes, musa alada, 
Ó divina esperança, 
Consolo do ancião no extremo alento, 
E sonho da criança; 

Tu que junto do berço o infante cinges 
C’os fúlgidos cabelos; 
Tu que transformas em dourados sonhos 
Sombrios pesadelos; 

Tu que fazes pulsar o seio às virgens; 
Tu que às mães carinhosas 
Enches o brando, tépido regaço 
Com delicadas rosas; 

Casta filha do céu, virgem formosa 
Do eterno devaneio, 
Sê minha amante, os beijos meus recebe, 
Acolhe-me em teu seio! 

Já cansada de encher lânguidas flores 
Com as lágrimas frias, 
A noite vê surgir do oriente a aurora 
Dourando as serranias. 

Asas batendo à luz que as trevas rompe, 
Piam noturnas aves, 
E a floresta interrompe alegremente 
Os seus silêncios graves. 

Dentro de mim, a noite escura e fria 
Melancólica chora; 
Rompe estas sombras que o meu ser povoam; 
Musa, sê tu a aurora! 


Machado de Assis, in 'Falenas'



Rembrandt Peale (American, 1778-1860), Niagara Falls



"À força de prazeres a nossa felicidade cai no abismo." 

(Sidonie Colette)



Sidonie Gabrielle Colette

                                    
Romancista francesa, Sidonie Gabrielle Colette nasceu a 28 de janeiro de 1873, numa pequena aldeia da Borgonha, de nome Saint-Sauveur-en-Puisaye. O pai era um antigo combatente das campanhas italianas, o infortúnio de perder uma perna fez com que passasse de capitão do exército a cobrador de impostos, mantendo ambições na política regional. A mãe, por seu lado, vivia num mundo muito próprio, composto essencialmente pelo seu jardim bem cuidado, por animais de estimação e pelos livros. Colette cresceu portanto num idílio rural e despreocupado.

Em 1893 casou com Henri Gauthier-Villars, escritor e crítico teatral, conhecido no meio por 'Monsieur Willy', e cuja reputação foi posta em dúvida pela posteridade, acusado de charlatanismo e degeneração de costumes. Encorajou a jovem esposa a escrever e, segundo reza a lenda, encerrou-a no quarto até que ela compusesse um número de páginas suficientes ao seu agrado.
Consequentemente, Colette publicou o seu primeiro romance em 1900. Claudine à l'École constitui o início da série 'Claudine', da qual a autora completou quatro volumes em apenas três anos, assinando-os com o nome do marido. Descrevendo as aventuras e desventuras de uma adolescente, Claudine desafiava os conceitos de decência da época, o que em muito contribuiu para o seu sucesso imediato. A série logo se tornou num fenómeno comercial, dando origem ao aparecimento de uma linha de produtos alusivos à personagem, como um uniforme, charutos, sabonetes, perfumes, e mesmo um espetáculo musical.

Em 1905 Colette pediu o divórcio com base legal nas infidelidades do marido e, no ano seguinte, deu início a uma carreira como atriz no teatro de revista, marcada pelos escândalos e atentados à moral pública. Numa ocasião terá desnudado um seio em palco e, noutra, causado uma rixa no famoso Moulin Rouge, ao simular o ato sexual. Apesar das suas atuações pouco ortodoxas e comportamentos homossexuais, Colette pode prosseguir a sua carreira como atriz e escritora, sobretudo graças à proteção da Marquesa de Belboeuf.

Tornou a casar em 1912, desta feita com o editor de um conceituado jornal francês, e autor de contos e crónicas teatrais. O seu envolvimento com o filho do marido despoletou um novo escândalo. O matrimónio durou apenas até 1925. Entretanto, em 1920, publicou "Chéri" romance narrado por um adolescente que recebe a sua iniciação sexual de uma mulher mais madura.

Com a deflagração da Primeira Grande Guerra em 1914, Colette converteu a propriedade do marido, situada na Normandia, num hospital militar. Este esforço de guerra não só lhe valeu a investidura como Cavaleiro da Legião de Honra em 1920, como lhe garantiu grande popularidade por toda essa década, chegando a ser aclamada como a maior escritora francesa de todos os tempos. 

Guardou da sua terra natal, a Borgonha, um amor pela liberdade e pela natureza que viria a inspirar muitos dos seus melhores escritos. Procurando a sua identidade transmutada a partir da ruralidade contemplativa, Colette descreve em muitas das suas obras a marginalidade urbana em que a sua vida desaguou, ao escolher como personagens prostitutas e proxenetas, bissexuais e travestis. Trabalhos como La Naissance du Jour (1928), Sido (1929) e L'Étoile Vesper (1947) concentram-se no ambiente campestre da sua infância, enquanto que outras, como La Vagabonde (1911) e La Chatte (1933), abordam a estranha cidadania dos meandros de Paris.
Possuiu uma enorme coleção de objetos de Art Nouveau, e manteve um salão literário. 

Galardoada com inúmeros prémios, a obra de Colette valeu-lhe a admissão na Real Academia Belga e na Academia Goncourt, bem como uma promoção a Oficial da Legião de Honra em 1953.
Sofrendo de artrite degenerativa, Colette faleceu em Paris a 3 de agosto de 1954. Apesar da recusa terminante por parte da Igreja Católica, que excluía dos seus ritos pessoas divorciadas, foram concedidos aos restos mortais da escritora honras fúnebres nacionais.

Colette. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-07-15].


sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Canto dos espíritos sobre as águas" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe





Canto dos espíritos sobre as águas


A alma do homem 
É como a água: 
Do céu vem, 
Ao céu sobe, 
E de novo tem 
Que descer à terra, 
Em mudança eterna. 

Corre do alto 
Rochedo a pino 
O veio puro, 
Então em belo 
Pó de ondas de névoa 
Desce à rocha lisa, 
E acolhido de manso 
Vai, tudo velando, 
Em baixo murmúrio, 
Lá para as profundas. 

Erguem-se penhascos 
De encontro à queda, 
— Vai, espumando em raiva, 
Degrau em degrau 
Para o abismo. 

No leito baixo 
Desliza ao longo do vale relvado, 
E no lago manso 
Pascem seu rosto 
Os astros todos. 

Vento é da vaga 
O belo amante; 
Vento mistura do fundo ao cimo 
Ondas espumantes. 

Alma do Homem, 
És bem como a água! 
Destino do homem, 
És bem como o vento!


Johann Wolfgang von Goethe, 1788, in "Poemas"
Tradução de Paulo Quintela 



 Cataratas do Iguaçu


A área das Cataratas do Iguaçu  é um conjunto de cerca de 275 quedas de água no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná), localizada entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil 20%, e o Parque Nacional Iguazú em Misiones, na Argentina 80%, fronteira entre os dois países. A área total de ambos os parques nacionais, correspondem a 250 mil hectares de floresta subtropical e é considerada Património Natural da Humanidade. O Parque Nacional argentino foi criado em 1934; e o Parque Nacional brasileiro, em 1939, com o propósito de administrar e proteger o manancial de água que representa essa catarata e o conjunto do meio ambiente ao seu redor. Os parques tanto brasileiro como argentino passaram a ser considerados Património da Humanidade em 1984 e 1986, respetivamente. Desde 2002 o Parque Nacional do Iguaçu é um dos sítios geológicos brasileiros.



 Cataratas do Iguaçu


domingo, 7 de julho de 2013

“Cárcere das Almas” - Poema de Cruz e Souza


Konrad Witz, Saint Christopher, c. 1435, at the Kunstmuseum, Basel



Cárcere das Almas


Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, 
soluçando nas trevas, entre as grades 
do calabouço, olhando imensidade, 
mares, estrelas, tardes, natureza 

Tudo se reveste de uma igual grandeza 
quando a alma entre os grilhões as liberdades 
sonha e sonhando, as imortalidades 
rasga no etéreo Espaço da Pureza. 

Ó almas presas, mudas e fechadas 
nas prisões colossais e abandonadas 
da Dor no calabouço atroz, funéreo! 

Nesses silêncios solitário, graves, 
que chaveiro do Céu possui as chaves 
para abrir-vos as portas do Mistério?!


Cruz e Sousa


João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), 24 de novembro de 1861 — Estação do Sítio, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Alcunhado Dante Negro e Cisne Negro. Foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.






"Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele." 




sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Conto de Fadas" - Poema de Florbela Espanca


Henri Decaisne Maria Malibran as Desdemona in Rossini's "Otello" (1831) 
Paris, Carnavalet Museum



Conto de Fadas 


Eu trago-te nas mãos o esquecimento 
Das horas más que tens vivido, Amor! 
E para as tuas chagas o unguento 
Com que sarei a minha própria dor. 

Os meus gestos são ondas de Sorrento... 
Trago no nome as letras de uma flor... 
Foi dos meus olhos garços que um pintor 
Tirou a luz para pintar o vento... 

Dou-te o que tenho: o astro que dormita, 
O manto dos crepúsculos da tarde, 
O sol que é d'oiro, a onda que palpita. 

Dou-te comigo o mundo que Deus fez! 
- Eu sou Aquela de quem tens saudade, 
A Princesa do conto: “Era uma vez...” 







"Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece." 

(Alphonse de Lamartine)



Alphonse de Lamartine, ca.1865


Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine (Mâcon, 21 de outubro de 1790 - Paris, 28 de fevereiro de 1869) foi um escritor, poeta e político francês. Seus primeiros livros de poemas (Primeiras Meditações Poéticas, 1820 e Novas Meditações Poéticas, 1823) celebrizaram o autor e influenciaram o Romantismo na França e em todo o mundo. 

Filho de um conceituado capitão de cavalaria, Lamartine foi estudar em Lyon, voltando-se, desde a adolescência, para a poesia, com leituras de Horácio, Virgílio e Chateaubriand.
 Da educação de sua mãe, recebeu a dieta alimentar que, segundo nos parece por meio desta citação de Confidências (1854), o autor foi por toda vida vegetariano: “Minha mãe estava convencida, assim como foi sempre a minha convicção, de que matar os animais para nos sustentarmos com a sua carne e o seu sangue é uma das mais deploráveis e das mais vergonhosas enfermidades da condição humana; que é uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo endurecimento da sua própria perversidade.”

Em 1820 lançou seu primeiro livro, "Meditações" (Les méditations), inspirado num breve amor por Julie Charles, que morreu prematuramente.
Aclamado pela crítica, ingressou na carreira diplomática, o que lhe proporcionou viagens para Nápoles, Florença e Londres.
Frustrado, com a ascensão de Luís Filipe ao trono da França, em sua intenção de ingressar na carreira diplomática, retornou à poesia com Harmonias Poéticas e Religiosas (1830), Jocelyn (1836) e A Queda de um Anjo (1838).



 Lamartine in front of the Hôtel de Ville of Paris, on February 25, 1848, by Félix Philippoteaux.


 Lamartine foi membro do governo provisório e ministro do Exterior em 1848. Depois de sua mal sucedida candidatura às eleições presidenciais, escreveu apenas narrativas autobiográficas, terminando a vida em difícil situação financeira.
No fim da vida, o governo o socorre com uma renda vitalícia de 21 mil francos, a título de recompensa nacional. Lamartine morre em 1869,  numa casa que lhe fora doada.
Foi colaborador da revista Le Conservateur Littéraire.

 

Lamartine,  Albumin photograph by Nadar, 1856



 Obras de Lamartine:
Primeiras Meditações Poéticas (Premières méditations poétiques, 1820)
Novas Meditações Poéticas (Nouvelles méditations poétiques, 1823)
Harmonias poéticas e religiosas (Harmonies poétiques et religieuses, 1830)
Viagem ao Oriente (Voyage en Orient, 1835)
Jocelyn, 1836
A Queda de um Anjo (La chute d'un ange, 1838)
Os retiros (Les recueillements, 1839)
História dos Girondinos (Histoire des girondins, 1847)
Confidências (Confidences, 1849)
Raphaël, 1849
Novas Confidências (Nouvelles confidences, 1851)
O Talhador de Pedras de Saint-Point (Le tailleur de pierres de Saint-Point, 1851)
Geneviève, 1851 - romance policial
Curso Familiar de Literatura (Cours familier de littèrature, 1855) - 28 volumes
A Vinha e a Mansão (La vigne et la maison, 1857) - considerada sua obra-prima do período final.
Regina (Novela)
Graziela (Novela)




Lamartine, by Henri Decaisne (Musée de Mâcon)


quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Falo de Ti às Pedras das Estradas" - Poema de Florbela Espanca


Alexander Deineka (1899 - 1969), The farmer on a bicycle, 1935



Falo de Ti às Pedras das Estradas


Falo de ti às pedras das estradas, 
E ao sol que é louro como o teu olhar, 
Falo ao rio, que desdobra a faiscar, 
Vestidos de princesas e de fadas; 

Falo às gaivotas de asas desdobradas, 
Lembrando lenços brancos a acenar, 
E aos mastros que apunhalam o luar 
Na solidão das noites consteladas; 

Digo os anseios, os sonhos, os desejos 
Donde a tua alma, tonta de vitória, 
Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 
Sobre os brocados fúlgidos da glória, 
São astros que me tombam do regaço! 


in "A Mensageira das Violetas"



Aleksandr Deyneka, The street in Rome,1935


"Os maiores acontecimentos da minha vida foram alguns pensamentos, leituras, alguns pores-do-sol em Trouville à beira-mar e palestras de cinco a seis horas consecutivas com um amigo que agora é casado e está perdido para mim."

(Ernest Renan) 



Aleksandr Deyneka, Father and son in park,  1935


"Uma escola onde os alunos mandassem seria uma escola triste. A luz, a moralidade e a arte serão sempre representadas na humanidade por um conjunto de mestres, uma minoria que guarda a tradição do verdadeiro, do bem e do belo."

(Ernest Renan)



Aleksandr Deyneka, Roma, The side-street, 1935



"O bom humor é o maior encanto da vida."

(Ernest Renan) 




Joseph Ernest Renan (Tréguier, 28 de fevereiro de 1823 — Paris, 2 de outubro de 1892) foi um escritor, filósofo, filólogo e historiador francês.

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