quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Uma Vida Feliz" - de John Stuart Mill


Daniel Ridgway Knight  (American, 1839 - 1924) Picking Wildflowers



Uma Vida Feliz


Uma condição de exaltado prazer somente se mantém por momentos ou, em alguns casos, e com algumas interrupções, por horas ou dias. Ela é o brilhante clarão ocasional da alegria, e não a sua chama firme e constante. Disso sempre estiveram tão cientes os filósofos que ensinaram ser a felicidade a finalidade da vida como aqueles que a eles se opuseram. A felicidade que concebiam não era a do arrebatamento, mas de momentos assim em meio a uma existência constituída de poucas e transitórias dores, muitos e variados prazeres, com um predomínio decidido do componente ativo sobre o passivo, e tendo como fundamento do todo não esperar da vida mais do que ela é capaz de oferecer. Uma vida assim constituída, para aqueles que tiveram a boa fortuna de obtê-la, sempre pareceu merecedora da designação de feliz. E uma existência assim é, mesmo hoje em dia, o destino de muitos durante uma parte considerável de suas vidas. A educação falida e os arranjos sociais falidos são os únicos obstáculos reais que impedem que isso esteja ao alcance de quase todos. 


John Stuart Mill, in 'Utilitarismo'




John Stuart Mill

John Stuart Mill, filósofo e economista britânico, nasceu em 1806 e toda a sua formação sofreu forte influência do pai, James Mill, também ele economista. A sua vida profissional foi dedicada quase exclusivamente à East India Company, onde trabalhou cerca de 38 anos.
O ponto de partida dos estudos de J. S. Mill foram as teorias dos economistas clássicos Adam Smith, David Ricardo e Thomas Robert Malthus, as quais aprofundou em variados aspetos e das quais no entanto discordou noutros. Da obra de Mill em relação à economia merecem destaque os seus contributos ao nível de temas como as economias de escala, os custos de oportunidade e as vantagens comparativas no comércio internacional.
Mill, até pelo ponto de partida que utilizou, é considerado um defensor do liberalismo, mas numa perspetiva diferente da preconizada por Adam Smith e David Ricardo. Como tal é usual rotulá-lo de defensor do chamado liberalismo heterodoxo. A principal diferença de Mill face aos seus precursores é o facto de considerar como imutáveis as leis económicas referentes à produção, característica que não se estenderia às leis da repartição dos bens na sociedade. Neste contexto, Mill propôs um conjunto de modificações a nível da organização da sociedade: abolição do regime de salariado em favor de um regime de associação entre os trabalhadores e as empresas; colocação dos rendimentos provindos da renda da terra ao dispor de toda a coletividade; limitações ao direito à herança; implementação de impostos sobre as sucessões; regulamentação dos horários de trabalho dos trabalhadores; etc. Como se vê, algumas das propostas mostram a não concordância do autor com o laissez-faire puro, partilhando mesmo algumas semelhanças com os ideais socialistas, razão pela qual se reconhece Mill como defensor do liberalismo heterodoxo.
Paralelamente aos estudos de caráter estritamente económico, Mill notabilizou-se ainda pelas suas posições firmes a favor da liberdade de expressão e pensamento dos indivíduos, por ele considerada fundamental para o bem-estar das sociedades, bem como da igualdade entre homens e mulheres.
A sua obra mais notória em termos económicos é Principles of Political Economy, publicada em 1848. Outras obras também conhecidas de Mill são On Liberty (1859) e The Subjection of Women (1869). Faleceu em 1873.

John Stuart Mill. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-10-16].



Daniel Ridgway Knight - Paintings (Images Courtesy of Rehs Galleries, Inc., NYC )

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