quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

"Distância" - Poema de Fernanda de Castro


Paul Gustav Fischer, Day Dreams



Distância 


Não vás para tão longe! 
Vem sentar-te 
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim... 
Tenho o desejo doido de contar-te 
Estas saudades que não tinham fim. 

Não vás para tão longe; 
Quero ver 
Se ainda sabes olhar-me como d'antes, 
E se nas tuas mãos acariciantes, 
Inda existe o perfume de que eu gosto. 

Não vás para tão longe! 
Tenho medo 
Do silêncio pesado d'esta sala... 
Como soluça o vento no arvoredo! 
E a tua voz, amor, como se cala! 

Não vás para tão longe! 
Antigamente, 
Era sempre demais o curto espaço 
Que havia entre nós dois... 
Agora, um embaraço, 
Hesitas e depois, 
Com um gesto de tédio e de cansaço, 
Achas inconveniente 
O meu abraço. 

Não vás para tão longe! 
Fica. Inda é tão cedo! 
O vento continua a fustigar 
Os ramos sofredores do arvoredo, 
E eu ponho-me a pensar 
E tenho medo! 

Não vás para tão longe! 
Na sombra impenetrada, 
Como se agita e se debate o vento!... 
Paira nas velhas ruínas do convento 

Que além se avista, 
A alma melancólica d'um monge 
Que a vida arremessou àquela crista... 

Céu apagado, negro, pessimista, 
E tu sempre mais longe!... 


Fernanda de Castro, 
in "Antemanhã" 



Fernanda de Castro


Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro (Lisboa, 8 de Dezembro de 1900 – 19 de Dezembro de 1994), foi uma escritora portuguesa.
O escritor David Mourão-Ferreira, durante as comemorações dos cinquenta anos de atividade literária de Fernanda de Castro disse: "Ela foi a primeira, neste país de musas sorumbáticas e de poetas tristes, a demonstrar que o riso e a alegria também são formas de inspiração, que uma gargalhada pode estalar no tecido de um poema, que o Sol ao meio-dia, olhado de frente, não é um motivo menos nobre do que a Lua à meia-noite".
Parte da vida de Fernanda de Castro, foi dedicada à infância, tendo sido a fundadora da Associação Nacional de Parques Infantis, associação na qual teve o cargo de presidente.
Como escritora, dedicou-se à tradução de peças de teatro, a escrever poesia, romances, ficção e teatro. Foi autora do argumento do bailado Lenda das Amendoeiras (Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1940) e do argumento do filme Rapsódia Portuguesa (1959), realizado por João Mendes, documentário que esteve em competição oficial no Festival de Cannes. Também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas: lllustração portugueza (iniciada em 1903), Contemporânea [1915]-1926) e Ilustração (iniciada em 1926).



Galeria de Paul Gustav Fischer
Paul Fischer, Portrait of the artist's daughter, Inge


Paul Fischer, Portrait of Lisa Orth


Paul Fischer, Seated model in the artist's studio, s.d. oil on canvas 40 x 32 cm.


Paul Fischer, The morning toilet 


Paul Fischer, Women on the beach in Falsterbo


Paul Fischer, Two bathing girls in the bushes near the coast of Hornbæk


Paul Fischer, Sunbathing in the Dunes, 1916



Paul Fischer, Scene from Copenhagen, 1895



«Somos infalíveis na nossa escolha de amantes, particularmente quando precisamos da pessoa errada. Existe um instinto, uma força magnética ou antena que busca o inadequado.» 

(Hanif Kureishi)



Hanif Kureishi


Hanif Kureishi nasceu em Bromley, sul de Londres, em 1954, de mãe inglesa e pai paquistanês. Estudou filosofia no King's College (Londres). É dramaturgo, contista e roteirista dos filmes My Beautiful Laundrette - vencedor de diversos prémios e indicado para o Oscar em 1987 - e Sammy and Rosie Get Laid, ambos dirigidos por Stephen Frears. Escreveu e dirigiu London kills me, filme lançado em 1991. Seu primeiro romance, o aclamado O buda do subúrbio, foi adaptado para a televisão pela BBC.

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