quarta-feira, 26 de março de 2014

"A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas" - de Fernando Pessoa


Simão César Dórdio Gomes (1890 - 1976), Éguas de manada, 1929, óleo sobre tela, 106 x 126 cm
 

A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas


« – A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas. Mas por música não deve entender-se só aquela que se toca, se não também aquela que fica eternamente por tocar. Por luar, ainda, não se deve supor que se fala só do que vem da lua e faz as árvores grandes perfis; há outro luar, que o mesmo sol não exclui, e obscurece em pleno dia o que as coisas fingem ser. Só os sonhos são sempre o que são. É o lado de nós em que nascemos e em que somos sempre naturais e nossos. – Mas, se o mundo é ação, como é que o sonho faz parte do mundo? – É que o sonho, minha senhora, é uma ação que se tornou ideia; e que por isso conserva a força do mundo e lhe repudia a matéria, que é o estar no espaço. Não é verdade que somos livres no sonho? – Sim, mas é triste o acordar... – O bom sonhador não acorda. Eu nunca acordei. Deus mesmo duvido que não durma. Já uma vez ele mo disse.»


 Fernando Pessoa, in A Hora do Diabo



Simão César Dórdio Gomes, Dois banhistas à beira do Douro, 1928



Simão César Dórdio Gomes,  Alentejo, 1941



Simão César Dórdio Gomes, Autorretrato da Natureza Morta, 1924



Simão César Dórdio Gomes. "Fado do ciúme" - Amália Rodrigues


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