domingo, 9 de março de 2014

"Compasso para elegia" - Poema de Albano Martins


Rafael Zabaleta (1907-1960, pintor espanhol), Interior, 1957



Compasso para elegia


Não me venham dizer que há remédio: 
nada substitui a presença das coisas, 
a presença material das coisas. 

Os dias da morte 
gravitam no escuro, 
enquanto acendo fósforos de sombra 
à tua procura nas gavetas, 
nos armários, nas cabines, 
em todos os lugares 
onde fatalmente 
tu não estás. 

Nenhum prodígio pode reconstituir 
a tua voz, o sorriso interior da tua boca, 
voz humana, acesa no peito, 
cujas palavras eram como labaredas. 

Só o silêncio comemora o facto 
de teres vivido como o álcool, 
possuindo possuída, 
com as artérias cheias de vinho doce 
- corpo de vaso e sangue de licor. 


In Coração de Bússola, 1967 



Galeria de Rafael Zabaleta Fuentes
Rafael Zabaleta, Noche de estío, 1948



Rafael Zabaleta, Maternidad, 1952



Rafael Zabaleta, Peasants, 1952



Rafael Zabaleta, Painters and Model, 1954



Rafael Zabaleta,  Los buitres, 1954



Rafael Zabaleta, Nocturno del desnudo, 1954



Rafael Zabaleta, Nocturno de las mujeres, 1955  


Rafael Zabaleta, La recolección, 1956 


Rafael Zabaleta, El mulero, 1956


Rafael Zabaleta, Campesino, 1957


Rafael Zabaleta, Carniceria, 1957


Rafael Zabaleta, Nocturno del jardín, 1957 



 
Rafael Zabaleta,  Aceituneras, 1957


Rafael Zabaleta, Las dos mujeres, 1958



Rafael Zabaleta, The Satyr, 1958


Rafael Zabaleta, Nocturno, 1958


Rafael Zabaleta, Interior y paisaje, 1959


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