quinta-feira, 29 de maio de 2014

"A arte existe, não, como Campos quer, para substituir a vida, senão para a completar" - de Ricardo Reis


Frank Lloyd Wright criou uma casa chamada "Fallingwater" (“Água em Queda”), (1936), Pensilvânia
projetada para fundir-se com a encosta do morro onde está incrustada e tendo espaço
 para um riacho correr debaixo dela.


A arte existe, não, como Campos quer, para substituir a vida, senão para a completar


A arte existe, não, como quer Campos, para substituir a vida, senão para a completar. Tudo na vida, excepto o desejo do homem, é irracional e imperfeito; na arte o homem projecta o seu desejo e a vontade de perfeição que há nele. Por isso a obra de arte deve, conservando a forma da vida, substituir-lhe a matéria: a escultura é na limpeza da pedra, que não na porcaria do corpo; a poesia é na música do ritmo lida que não na falta de música da palavra simplesmente falada.
Na arte deve ser eliminado todo elemento que recorde a matéria da vida; conservado tudo que recorde a sua forma. Assim, não aceito como arte o verso nauseabundo de Cesário Verde, a propósito dos cegos:
Rolam os olhos como dois escarros.
Repudio a tese frequente, de que a arte tenha que ir buscar a sua simplicidade à simplicidade infantil. Na criança há simplicidade; na arte há simplificação, que é o contrário. A frase infantil tem analogia com a frase de graça, ou espírito: representa sem hesitação uma ideia que nasce sem reflectir, fruto, por vezes, de uma confusão do pensamento.
A arte baseia-se na vida, porém, não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado em si mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si mesmo tem que tirar de si a matéria com que realiza.


Ricardo Reis (Heterónimo de Fernando Pessoa)



Estátua de Fernando Pessoa "O Senhor Poeta", 2008
de Francisco Simões, Casino da Póvoa de Varzim 
Póvoa de Varzim






"Muitos não sabem propriamente distinguir a originalidade da excentricidade: uma caracteriza o génio, outra manifesta o louco."


Fernando Pessoa, in Páginas de Estética e de Teoria Literárias 



Fallingwater House (ou Casa Kaufmann ou Casa da Cascata) (1936), Pensilvânia


Considerada uma das mais famosas casas do mundo, a Casa da Cascata (Fallingwater house) ou Casa Kaufmann (nome da família de seu primeiro proprietário) é uma residência localizada 50 milhas a sudeste de Pittsburgh, em Bear Run, na Estrada Rural 1, secção Mill Run de Stewart Township, Condado de Fayette, nas Laurel Highlands dos Montes Allegheny, Estado da Pensilvânia, Estados Unidos.


As  fortes linhas horizontais e verticais são uma característica distinta da "Fallingwater"


O edifício foi projetado em 1934 pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, considerado o introdutor da arquitetura moderna no seu país, e construída em 1936 no sudoeste rural da Pensilvânia. No entanto, a sua principal característica é o facto de ter sido erguida parcialmente sobre uma pequena queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes (como pedrasvegetação e a própria água) como constituintes da composição arquitectónica. Assim como várias outras obras de Wright, foi construída com materiais experimentais para a época.



O interior da "Fallingwater" representando uma área de estar com móveis projetados por Wright


O proprietário era o homem de negócios Edgar Kaufmann, cujo filho Edgar Jr. fora aluno de arquitectura de Wright. Foi construída no meio dum bosque, no interior duma propriedade da família. Originalmente utilizada como residência de veraneio da família, hoje, a casa é um museu. 



Frank Lloyd Wright 


Frank Lloyd Wright (Richland Center, 8 de junho de 1867Phoenix, 9 de abril de 1959) foi um arquiteto, escritor e educador estadunidense de ascendência galesa. Um dos conceitos centrais em sua obra é o de que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. No início de sua carreira, trabalhou com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Responsável por mais de mil projetos, dos quais mais de quinhentos construídos, Wright influenciou os rumos da arquitetura moderna com suas ideias e obras e é considerado um dos arquitetos mais importantes do século XX.

Antes de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele estudou engenharia e, faltando poucas semanas para sua graduação, abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no escritório de Joseph Lyman Silsbee, um arquiteto de renome. Tornou-se a figura chave da arquitetura orgânica, exemplificada pela Casa da Cascata, um desdobramento da arquitetura moderna que se contrapunha ao International style europeu. Foi o líder da Prairie School, movimento da arquitetura ao qual pertencem os projetos da Robie House e a Westcott House, e também desenvolveu o conceito de Usonian home, do qual a Rosenbaum House é um exemplo. Sua obra inclui exemplos originais e inovativos de edifícios dos mais diferentes tipos, incluindo escritórios, templos, escolas, hotéis e museus. Frequentemente detalhava também os elementos a serem empregados no interior de suas construções, tais como mobília e vitrais.



Frank Lloyd Wright (1954)


Seus principais trabalhos foram a Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufman e considerada a residência moderna mais famosa do mundo) e a sede do Museu Solomon R. Guggenheim em Nova Iorque, um estrutura sem precedentes, que criou um novo paradigma na arquitetura de museus.

Wright escreveu vinte livros, muitos artigos, era um palestrante popular nos Estados Unidos e Europa e grandemente reconhecido ainda em vida. Cheia de acontecimentos dramáticos, frequentemente fatos de sua vida pessoal apareciam nas manchetes dos jornais, dentre os quais os mais notáveis foram o incêndio e assassinatos de 1914 em sua residência de verão, Taliesin East. 
O Instituto Americano de Arquitetos postumamente conferiu a Wright em 1991 o título de "maior arquiteto americano de todos os tempos"


Obras notáveis:

terça-feira, 27 de maio de 2014

"Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo"... poema de António Ramos Rosa


William  Coldstream, Colin St John Wilson (1922–2007), 1982-3

Sir Colin Alexander St John Wilson, FRIBA, RA, (14 March 1922 – 14 May 2007) was a British architect, lecturer and author. He spent over 30 years progressing the project to build a new British Library in London, originally planned to be built in Bloomsbury and now completed near Kings Cross


Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo


Por vezes cada objeto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo


António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"




William Coldstream, View from Kitchen Window, Cannon Hill, 1947



William Coldstream, Orange Tree I, 1974-5


William Coldstream, Orange Tree
 

William Coldstream, Lords and Ladies



William Coldstream, Window in Hampstead, 1981-2



 "Acho que a primeira prova da grandeza de um homem é a sua humildade."
 (John Ruskin) 


- I believe the first test of a truly great man is his humility


- The True and the Beautiful in Nature, Art, Morals, and Religion‎
- Página 338, de John Ruskin, L. C. Tuthill
- Publicado por John Wiley & Son, 1867 - 452 páginas


William Coldstream, Westminster IX, 1982



"A arquitetura é a arte que dispõe e adorna de tal forma as construções erguidas pelo homem, para qualquer uso, que vê-las pode contribuir para sua saúde mental, poder e prazer."


(John Ruskin) 


- architecture is the art which so disposes and adorns the edifices raised by man, for whatsoever uses, that the sight of them may contribute to his mental health, power, and pleasure.
 
- The Seven Lamps of Architecture
‎ - Página 7, de John Ruskin
- Publicado por Wiley, 1865 - 186 páginas


John Ruskin, Autorretrato


John Ruskin (Londres, 8 de fevereiro de 1819 – 20 de janeiro de 1900) foi um escritor mais lembrado por seu trabalho como crítico de arte e crítico social británico. Foi também poeta e desenhista. Os ensaios de Ruskin sobre arte e arquitetura foram extremamente influentes na era Vitoriana, repercutindo até hoje.
O pensamento de Ruskin vincula-se ao Romantismo, movimento literário e ideológico (final do século XVIII até meado do século XIX), e que dá ênfase a sensibilidade subjetiva e emotiva em contraponto com a razão. Esteticamente, Ruskin apresenta-se como reação ao Classicismo e com admiração ao medievalismo. Na sua definição de restauração dos patrimónios históricos, considerava a real destruição daquilo que não se pode salvar, nem a mínima parte, uma destruição acompanhada de uma falsa descrição.
A partir de 1851, foi um defensor inicial e patrono da Irmandade Pré-Rafaelita, inspirando a criação do movimento Arts & Crafts.

"Podemos viver sem a arquitetura de uma época, mas não podemos recordá-la sem a sua presença. Podemos saber mais da Grécia e de sua cultura pelos seus destroços do que pela poesia e pela história.
Deve-se fazer história com a arquitetura de uma época e depois conservá-la. As construções civis e domésticas são as mais importantes no significado histórico. A casa do homem do povo deve ser preservada pois relata a evolução nacional, devendo ter o mesmo respeito que o das grandes construções consideradas por muitos importantes. Mais vale um material grosseiro, mas que narre uma história, do que uma obra rica e sem significado. A maior glória de um edifício não depende da sua pedra ou de seu ouro, mas sim, do fato de estar relacionada com a sensação profunda de expressão. Uma expressão não se reproduz, pois as ideias são inúmeras e diferentes os homens; segundo os objetos de diferentes estudos, chegar-se-ia a inúmeras conclusões. A restauração é a destruição do edifício, é como tentar ressuscitar os mortos. É melhor manter uma ruína do que restaurá-la." -
John Ruskin

A influência de Ruskin vai além do campo da história da arte. Leo Tolstoy descreveu Ruskin como "um desses homens raros que pensam com seu coração". Marcel Proust era um entusiasta de Ruskin e traduziu sua obra para o francês. O Mahatma Gandhi disse que Ruskin foi a maior influência em sua vida. 
O livro The Darkening Glass (Columbia UP, 1960) é tido como a "obra definitiva sobre Ruskin no século XX", escrita pelo professor de Columbia John D. Rosenberg, acompanhado de sua antologia de Ruskin, The Genius of John Ruskin.
Outra obra de grande importância é a biografia em dois volumes de Tim Hilton: John Ruskin: The Early Years (Yale University Press, 1985) e John Ruskin: The Later Years (Yale University Press, 2000).
Ruskin também viria a ser a faísca que iria incendiar o espírito da vanguarda do século XX que viria a buscar a completa renovação do ornamento e das formas da arte decorativa, que teria a Art Nouveau como resultado final, e em seguida, o modernismo

"Noções"... Poema de Cecília Meireles



Sir william Coldstream, Girl Reflecting, 1977



Noções

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

 
Cecília Meireles 
 
 
 
 
 
Sir William Coldstream
Sir William Coldstream, Seated Nude, 1952-3
 
 
 
Sir William ColdstreamReclining Nude, 1953-4
 
 
 
Sir William Coldstream Seated Nude, 1972-73
 
 
 
 
 Sir William Coldstream, Reclining Nude, 1974‑6
 


Pensamento


"O homem de sucesso é o que viveu bem, riu muitas vezes e amou bastante; que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças; que galgou uma posição respeitada e cumpriu suas tarefas; que deixou este mundo melhor do que encontrou, ao contribuir com uma flor mais bonita, um poema perfeito ou uma alma resgatada; que jamais deixou de apreciar a beleza do mundo ou falhou em expressá-la; que buscou o melhor nos outros e deu o melhor de si."
 
Robert-Louis Stevenson
 
 
 That a man is successful who has lived well, laughed often, and loved much, who has gained the respect of the intelligent men and the love of children; who has filled his niche and accomplished his task; who leaves the world better than he found it, whether by an improved poppy, a perfect poem, or a rescued soul; who never lacked appreciation of earth's beauty or failed to express it; who looked for the best in others and gave the best he had.
 
- citado em "Bulletin‎" - Vol. 2, Página 12, de National Association of Corporation Schools - 1914
 


Retrato de Robert Louis Stevenson, 1887, por John Singer Sargent


Robert Louis Balfour Stevenson (13 de novembro de 1850, Edimburgo – 3 de dezembro de 1894, Apia, Samoa), foi um novelista, poeta e escritor de roteiros de viagem. Escreveu clássicos como A Ilha do Tesouro, O Médico e o Monstro e As Aventuras de David Balfour (esta dividida em duas partes, Raptado e Catriona).

 

"Ser Feliz"... Pe. Vasco Pinto de Magalhães


William Coldstream, On the Map, 1937



Ser Feliz



"Ser feliz é ter futuro e é dar futuro. Todos pensamos ser felizes e acordamos todos os dias com esse desejo. Mas ser feliz não é uma sorte, nem é ausência de problemas. É viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. Isso depende de mim.

Era uma vez um homem que corria e corria pela vida... A vida era curta e necessitava de correr muito para gozar muito e ser feliz. E quanto mais corria, mais necessitava de correr! Descobria sempre mais lugares para visitar! Necessitava encontrar tudo e gozar de tudo. Até que um dia, cansado de tanto correr, parou. Então, a felicidade pôde alcançá-lo."




Pe. Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'




Pe. Vasco Pinto de Magalhães


O padre Vasco Pinto de Magalhães nasceu em Lisboa, em 1941. Entrou na Companhia de Jesus em 1965. É licenciado em Filosofia pela Universidade Católica e em Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma). Tem-se dedicado sobretudo à Pastoral Universitária, em Coimbra e no Porto, e ao acompanhamento espiritual. Foi co-fundador do Centro de Estudos de Bioética, tendo uma larga intervenção nesta área. Actualmente, é responsável pela formação inicial dos jesuítas portugueses (Noviciado). É autor de Vocação e Vocações Pessoais e de O Olhar e o Ver, e Nem Quero Crer.






Sir William Coldstream

William Coldstream


Sir William Menzies Coldstream, CBE (28 February 1908 – 18 February 1987) was a British realist painter and a long standing art teacher.


William Coldstream, At the Zoo, 1930



William Coldstream,The Table, 1932



William Coldstream, Studio Interior, 1932-3


Sir William Coldstream, Winifred Burger, 1937 



 Sir William Coldstream, Inez Spender, 1937-8



Sir William Coldstream, Sleeping Cat, 1938 

(The cat was sitting on the lap of the artist's wife, Nancy Sharp (1909–2001), whom he had married in 1931.)


William Coldstream, Capua Cathedral from the Bishop's Palace, 1944



William Coldstream, Cripplegate, 1946



William Coldstream, Westminster Abbey, 1973-74



William Coldstream, Westminster II, 1974



Vida Difícil



"Enquanto não aceitarmos que a vida é difícil, e isso não é mau, não só não arranjamos estratégias e calma para vencer as dificuldades, como as aumentamos e arranjamos uma dificuldade maior. O que torna a vida ainda mais difícil do que é na realidade é pensar que ela devia ser fácil ou que alguém tem direito à facilidade. Mas a vida sem luta não é vida!"


Pe.Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos' 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"Os Amigos Nunca São para as Ocasiões"... de Miguel Esteves Cardoso


Charles Ginner (1878‑1952), The Café Royal, 1911



Os Amigos Nunca São para as Ocasiões


“Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. 
A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais. Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre. 
Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter. 
A glória da amizade é ser apenas presente. É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade.” 


Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português'






Galeria de Charles Ginner
Malcolm Drummond (1880–1945) - Portrait of Charles Ginner, 1911 


Edward Le Bas - Portrait of Charles Ginner, 1930


Charles Ginner - Piccadilly Circus, 1912


Charles Ginner - Victoria Station, London, the Sunlit Square, 1913 


Charles Ginner - River Aire, Leeds, 1914


Charles Ginner - Roberts 8, 1916


Charles Ginner -The Dressmaking Factory, c1917 


Charles Ginner - The Church of All Souls, Langham Place, London, 1924


Charles Ginner - Claverton Street, Snow in Pimlico, 1939


Charles Ginner - Café Scene, 1939


Charles Ginner - Roof-tops, Pimlico, 1945



Citação


"No amor podemos substituir uma pessoa por outra, mas não na amizade, porque cada amigo tem o seu lugar e não podemos substitui-lo." 


António Lobo Antunes 
«Conversas com António Lobo Antunes», María Luisa Blanco (2002) 

domingo, 25 de maio de 2014

"O Ideal da Amizade"... de Sándor Márai


Robert Delaunay, 1916, Portuguese Woman, oil on canvas, 135.9 × 161 cm,  



O Ideal da Amizade


“A camaradagem, o companheirismo, às vezes, parecem amizade. Os interesses comuns por vezes criam situações humanas que são semelhantes à amizade. E as pessoas também fogem da solidão, entrando em todo o tipo de intimidades de que, a maior parte das vezes, se arrependem, mas durante algum tempo podem estar convencidas de que essa intimidade é uma espécie de amizade. Naturalmente, nesses casos não se trata de verdadeira amizade. Uma pessoa imagina que a amizade é um serviço. O amigo, assim como o namorado, não espera recompensa pelos seus sentimentos. Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. Isso seria o ideal. E na verdade, vale a pena viver, ser homem, sem esse ideal? E se um amigo falha, porque não é um verdadeiro amigo, podemos acusá-lo, culpando o seu caráter, a sua fraqueza? Quanto vale aquela amizade, em que só amamos o outro pela sua virtude, fidelidade e perseverança? Quanto vale qualquer afeto que espera recompensa? Não seria nosso dever aceitar o amigo infiel da mesma maneira que o amigo abnegado e fiel? Não seria isso o verdadeiro conteúdo de todas as relações humanas, esse altruísmo que não quer nada e não espera nada, absolutamente nada do outro? E quanto mais dá, menos espera em troca? E se entrega ao outro toda a confiança de uma juventude, toda a abnegação da idade viril e finalmente oferece a coisa mais preciosa que um ser humano pode proporcionar a outro ser humano, a sua confiança absoluta, cega e apaixonada, e depois se vê confrontado com o facto de o outro ser infiel e vil, tem direito de se ofender, de exigir vingança? E se se ofende e grita por vingança, era realmente amigo, o traído e abandonado?…”


Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'




Robert Delaunay, 1905–06, Autoportrait, oil on canvas



Robert Delaunay (12 de abril de 1885 - 25 de outubro de 1941) era um artista francês que usava o abstracionismo e o cubismo em seu trabalho.
Delaunay concentrado no Impressionismo, quando quis trabalhar mais tarde era mais abstrato, reminiscente de Paul Klee. Sua influência chave relacionou-se ao uso bold (realce) da cor, e a um amor desobstruído da experimentação da profundidade e do tom.
Quando era criança, os pais de Delaunay eram divorciados, sendo criado então por seu tio, no La Ronchère (perto de Burges). Começou a pintar numa idade precoce, e por 1903, produzia imagens maduras num estilo confiante e impressionista. Em 1908, após um semestre no trabalho militar como um bibliotecário regimental, encontrou-se com Sarah Stern que mais tarde seria Sonia Delaunay, e com quem se casaria mais tarde, apesar de na época ser casada com um negociante de arte alemão.
Em 1909, Delaunay começou a pintar uma série de estudos da cidade de Paris e da Torre Eiffel.



 Robert Delaunay, 1910–12, La Ville de Paris, oil on canvas, 267 × 406 cm, 


Pelo convite de Wassily Kandinsky, Delaunay junta-se ao grupo "O Cavaleiro Azul" (Der Blaue Reiter), um grupo de artistas abstratos de Munique, em 1911, e sua arte se volta ao abstrato.


 
Robert Delaunay, Simultaneous Windows on the City, 1912,  



Na deflagração da I Guerra Mundial, Delaunay e sua esposa encontravam-se de férias na Espanha, e acabaram se estabelecendo com amigos em Portugal durante o conflito. Vieram viver, juntamente com o filho Charles, para Vila do Conde entre o Verão de 1915 e inícios de 1917, numa casa a que chamaram La Simultané. Aí aprofundaram a amizade com os pintores Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros. Robert, tal como Sonia, fascinados pela luz portuguesa, desenvolveu aí as suas teorias sobre a cor simultânea. Neste período, o casal assumiu vários trabalhos desenhando trajes para a ópera de Madrid, e Sonia Delaunay começou um negócio de design de moda.



Robert Delaunay, 1915, Nu à la toilette (Nu à la coiffeuse), oil on canvas, 140 × 142 cm, 


Até meados de 1916 tiveram, em Vila do Conde, a companhia do pintores Eduardo Viana e Samuel Halpert.
Após a guerra, em 1921, retornaram a Paris. Delaunay continuou a trabalhar num estilo na maior parte abstrato. Durante a Feira Mundial de Paris em 1937, Delaunay participa no projeto da estrada de ferro e dos pavilhões de viagem aérea.


Robert Delaunay, Circular Forms (Formes circulaires), 1930


Com o início da II Guerra Mundial, os Delaunays mudam-se para Auvérnia (Auvergne) com o intuito de fugir às forças invasoras alemãs. 
Sofrendo de cancro, Delaunay não estava capaz de ser transferido de localidade em localidade, e sua saúde deteriorou-se. Morre em Montpellier, a 25 de outubro de 1941, aos 56 anos, vítima de cancro. O seu corpo foi transladado para Gambais em 1952.


Robert Delaunay, 1938, Rythme n°1, Decoration for the Salon des Tuileries, oil on canvas, 


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