sábado, 12 de julho de 2014

"Rosas Vermelhas" - Poema de Judith Teixeira


Gustave Caillebotte, Garden in Trouville, 1882



Rosas Vermelhas


Que estranha fantasia! 
Comprei rosas encarnadas 
às molhadas 
dum vermelho estridente, 
tão rubras como a febre que eu trazia... 
- E vim deitá-las contente 
na minha cama vazia! 

Toda a noite me piquei 
nos seus agudos espinhos! 
E toda a noite as beijei 
em desalinhos... 

A janela toda aberta 
meu quarto encheu de luar... 
- Na roupa branca de linho, 
as rosas, 
são corações a sangrar... 

Morrem as rosas desfolhadas... 
Matei-as! 
Apertadas 
às mãos-cheias! 

Alvorada! 
Alvorada! 
Vem despertar-me! 
Vem acordar-me! 

Eu vou morrer... 
E não consigo desprender 
dos meus desejos, 
as rosas encarnadas, 
que morrem esfarrapadas, 
na fúria dos meus beijos! 


Judite Teixeira, in 'Decadência'






Gustave Caillebotte
Gustave Caillebotte, Autorretrato, 1892
Musée d'Orsay, Paris.


Gustave Caillebotte (Paris, 19 de Agosto de 1848 - Gennevilliers, 21 de Fevereiro de 1894) foi um pintor francês, membro e patrono de um grupo de artistas conhecido como impressionistas, colecionador de selos e engenheiro de iates.


A photograph of the Caillebotte family taken by Martial Caillebotte Jr.

Gustave Caillebotte era filho de uma família parisiense de classe alta. Seu pai, Martial Caillebotte (1799-1874), era herdeiro da indústria têxtil de propriedade da família. Além disso, era também juiz no Tribunal de Comércio de Seine.



Gustave Caillebotte, Martial Caillebotte Jr. Playing the Piano, c. (1876)

Martial Caillebotte ficou viúvo duas vezes antes de casar-se com a mãe do pintor, Céleste Daufresne (1819-1878), que teve mais dois filhos após Gustave: René Caillebotte (1851-1876) e Martial Caillebotte (1853-1910).




Gustave Caillebotte, Young Man at his Window (René Caillebotte), (1875),
Private collection



Foi provavelmente por volta de 1866 quando Caillebotte começou a desenhar e pintar. Muitas das pinturas de Caillebotte exibem os membros de sua família na vida doméstica; Young Man at His Window, 1875, mostra René na casa da rue de Miromesnil, The Orange Trees, 1878, exibe Martial Jr. e sua prima Zoë no jardim da propriedade da família em Yerres, e, mostra a mãe de Caillebotte junto com sua tia, primos, e um amigo da família.


Gustave Caillebotte, The Orange Trees (Les orangers) (1878)


Caillebotte formou-se em advocacia em 1868 e uma obteve licença para praticar direito em 1870. Pouco tempo depois, ele foi convocado para lutar na Guerra Franco-Prussiana, e serviu à Guarde Nationale Mobile de la Seine. 
Após a guerra, Caillebotte começou a visitar o estúdio do pintor Léon Bonnat, onde ele iniciou seus estudos de arte. Em 1873, Caillebotte entrou na École des Beaux-Arts, mas aparentemente não a frequentou por muito tempo. Por volta dessa época, Caillebotte encontrou e se tornou amigo de vários artistas que não eram da academia francesa, incluindo Edgar Degas e Giuseppe De Nittis. Caillebotte compareceu, mas não participou da primeira exibição Impressionista de 1874.


Gustave Caillebotte,  Les raboteurs de parquet (1875) 

A abastada pensão que Caillebotte recebia, somada à herança que ele recebeu após a morte de seu pai em 1874 e de sua mãe em 1878, permitiram-lhe pintar sem a pressão de vender seus trabalhos. Isso também permitiu-o ajudar a financiar exibições impressionistas e a dar suporte a companheiros artistas e amigos (incluindo Claude Monet, Auguste Renoir, e Camille Pissarro, dentre outros), ao comprar seus trabalhos e, pelo menos no caso de Monet, pagar o aluguer de seus estúdios. Além disso, Caillebotte usou sua fortuna para financiar vários hobbies pelos quais ele era apaixonado, incluindo colecionar selos (sua coleção encontra-se atualmente no Museu Britânico, cultivo de orquídeas, construção de iates, e até mesmo design de modelos (as mulheres nas pinturas Madame Boissière Knitting, 1877, e Portrait of Madame Caillebotte, 1877, poderiam estar trabalhando em modelos criados por Caillebotte).



Gustave Caillebotte, Portraits à la campagne (1876), Musée Baron Gérard, Bayeux

O estilo de Caillebotte pertence à escola do Realismo. Como fizeram seus predecessores Jean-Francois Millet e Gustave Courbet, assim como seu contemporâneo Edgar Degas, Caillebotte tinha como objetivo pintar a realidade como ela existia e como  a via, tentando reduzir ao máximo a teatricidade inerente à pintura. Ele também compartilhava do comprometimento com a verossimilhança ótica dos Impressionistas.


Caillebotte pintou muitas cenas domésticas, familiares, interiores, e figuras na paisagem de Yerres, mas ele é mais conhecido por suas pinturas da cidade de Paris, como The Floor Scrapers, 1875, Le pont de l'Europe, 1876, e Paris Street, Rainy Day, 1877. Estas pinturas são um tanto controversas por mostrarem cenas banais e mundanas, e por sua perspectiva profunda. O piso inclinado comum a essas pinturas é bastante característico dos trabalhos de Caillebotte, o que pode ter sido fortemente influenciado por telas japonesas e a nova tecnologia da fotografia. Técnicas como cropping e zoom são facilmente encontradas nas obras de Caillebotte, o que pode ter sido o resultado de seu interesse por fotografia.


Gustave Caillebotte, Le Pont de l'Europe (1876), Petit Palais - Genève

Um considerável número dos trabalhos de Caillebotte também emprega um ponto de vista muito alto, incluindo muitos de suas pinturas de varandas, como Vue des toits, effet de neige, 1878, e Boulevard vu d'en haut, 1880.


Gustave Caillebotte, Vue des toits, effet de neige, 1878

A carreira de pintor de Caillebotte diminuiu seu ritmo drasticamente na década de 1880, quando ele parou de produzir telas de tamanho grande e de exibir seus trabalhos. Ele adquiriu uma propriedade em Petit Gennevilliers, na margem do canal perto de Argenteuil, em 1881, e se mudou para lá permanentemente em 1888.



Gustave Caillebotte, Homme portant une blouse (1884), collection privée

Ele devotou seu tempo à jardinagem e a construir iates de corrida, e passou muito tempo junto a seu irmão Martial, e seu amigo Renoir, que frequentemente visitava Petit Gennevilliers.


Gustave Caillebotte, La Plaine de Gennevilliers (1888)

Caillebotte morreu enquanto trabalhava em seu jardim em Petit Gennevilliers, em 1894, de congestão pulmonária, e foi enterrado no Cemitério de Père Lachaise em Paris.


Gustave Caillebotte, Nasturces, 1892

Em seu testamento, Caillebotte doou uma grande coleção ao governo francês. Esta coleção incluía sessenta e oito pinturas de vários artistas: Camille Pissarro, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley, Edgar Degas, Paul Cézanne, e Édouard Manet.



Gustave Caillebotte, Le jardin du Petit Gennevilliers en hiver (1894), private collection.

Sem comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...