segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"Poema" - de António José Forte

 
Christian Schloe, Fly Me to Paris



Poema


Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha,
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada

alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direção dos rios

alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar


António José Forte,
in Uma Faca nos Dentes






António José Forte (Póvoa de Santa Iria, 6 de Fevereiro de 1931Lisboa, 15 de Dezembro de 1988), poeta ligado ao Movimento Surrealista, integrou o chamado Grupo do Café Gelo. Trabalhou também como funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, onde durante mais de 20 anos desempenhou as funções de Encarregado das Bibliotecas Itinerantes. Era casado com a pintora Aldina.

Deixou uma obra breve, mas que claramente o afirma como um consumado poeta. Com colaboração na revista Pirâmide e em vários jornais (A Rabeca, Notícias de Chaves, O Templário, Diário de Lisboa, A Batalha, Jornal de Letras, Artes e Ideias), publicou o seu primeiro livro, 40 Noites de Insónia de Fogo de Dentes Numa Girândola Implacável e Outros Poemas, em 1958. Representado em inúmeras antologias poéticas, António José Forte é também autor do livro de poesia infanto-juvenil Uma rosa na tromba de um elefante.

A poesia de António José Forte carreia uma certa perversão do "discurso" poético e a utopia ideológica, anarquizante e ainda claramente surrealista; é, com uma intenção nitidamente bretoniana, uma maneira de afirmar que o ato de escrever é "ainda aquilo que sabe fazer melhor", mas dizer também em consciência haver "gente que nunca escreveu uma linha e fez mais pela palavra que toda uma geração de escritores" . A sua poesia está reunida em Uma Faca nos Dentes, com um prefácio de Herberto Helder, seu amigo de muitos anos, onde este afirma que "a voz de António José Forte não é plural, nem direta ou sinuosamente derivada, nem devedora. Como toda a poesia verdadeira, possui apenas a sua tradição. A tradição romântica, no menos estrito e mais expansivo e qualificado registo".



Galeria de Christian Schloe

(Artista austríaco cujo trabalho inclui a arte digital, pintura, ilustração e fotografia.)

"The Poet" by Christian Schloe 

"The Pleasure of Travelling" by Christian Schloe

"The Sea Inside" by Christian Schloe

"Voyage" by Christian Schloe

"The River" by Christian Schloe


"Unlock" by Christian Schloe 

"Nightmakers" by Christian Schloe

"Midnight Sky" by Christian Schloe

"Lost in a Dream" by Christian Schloe

"The Messenger" by Christian Schloe

"The Key to Wonderland" by Christian Schloe

"Night Bird" by Christian Schloe


"A Preocupação com a administração da vida parece distanciar o ser humano da reflexão moral."

(Zygmunt Bauman)



O professor Zygmunt Bauman em 2012, com 88 anos de idade, fazendo palestras,
 dando aulas e lançando livros. (Foto: Leonardo Cendamo/AFP)


Zygmunt Bauman (Poznań, 19 de novembro de 1925) é um sociólogo polonês que iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Lá conheceu o filósofo islandês Ji Caze, que influenciou sua prodigiosa produção intelectual, pela qual recebeu os prémios Amalfi (em 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto) e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra). Foi orientador da tese de doutorado do sociólogo Pedro Scuro Neto. Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia. 
Tem mais de dezesseis obras publicadas no Brasil, dentre as quais Amor Líquido, Globalização: as Consequências Humanas e Vidas Desperdiçadas.
Bauman tornou-se conhecido por suas análises das ligações entre modernidade (controle sobre a natureza, hierarquização burocrática, regras e normatização, categorização, para impor ordem, diminuir entropia social e insegurança) e Holocausto (não simplesmente um evento da história do povo judeu, mas característica da modernidade), e pós-modernidade (renúncia à segurança característica da modernidade em favor da liberdade, liberdade de comprar e consumir).


"Longing" by Christian Schloe


"Para mudar o mundo, os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real"

(Zygmunt Bauman) 



"Floating Giants" by Christian Schloe



"Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar." 

(Zygmunt Bauman)


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