terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Árvore"... Poema de Fernando Guimarães


Armando Viana, Natureza exuberante, 1952, óleo sobre tela 92 x 118 cm



Árvore


Conheço as suas raízes. É tudo o que vejo. 
Há um movimento que a percorre devagar. Não sei 
se ela existe. Imagino apenas como são os ramos, 
este odor mais secreto, as primeiras folhas 
aquecidas. Mas eu existo para ela. Sou 
a sua própria sombra, o espaço que fica à volta 
para que se torne maior. É assim que chega 
o que não passa de um pressentimento. Ela compreende 
este segredo. Estremece. Comigo procuro trazer 
só um pouco de terra. É a terra de que ela precisa. 


Fernando Guimarães, in 'Limites para uma Árvore'




Fernando Guimarães (Daqui)


Fernando de Oliveira Guimarães é um poeta, ensaísta e tradutor português, nascido a 3 de fevereiro de 1928, no Porto. 

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, exerceu funções de docência no ensino secundário e de investigação no ensino superior. 

Assegurou colaboração crítica em jornais e revistas - como Árvore, Bandarra e Estrada Larga (onde publicou Poesia e Formalismo), entre outras -, sendo considerado, pelas suas obras ensaísticas e de teorização sobre as poéticas finisseculares, modernista, de vanguarda, presencista, neorrealista e do fim da modernidade, um dos mais especializados críticos de poesia da atualidade. 

Entre 1951 e 1958, co-dirigiu a revista Eros, na qual colaborariam Jorge Nemésio, José Manuel, José Bento, Fernando Echevarria, Vítor Matos e Sá e António José Maldonado, e onde publicou, além de produção teórica e ensaística, alguns dos poemas que viriam, em 1956, a integrar a sua obra de estreia poética, A Face Junto ao Vento.

A sua obra ensaística orienta-se para o estudo de questões teóricas ligadas à estética, e da evolução da poesia portuguesa nos últimos cem anos, a partir de grandes movimentos como o Simbolismo, o Saudosismo ou o Modernismo. Nestes dois domínios publicou: A Poesia da "Presença" e o Aparecimento do Neorrealismo, Linguagem e Ideologia, Simbolismo, Modernismo e Vanguardas e Os Problemas da Modernidade, entre outros. 

Na sua obra poética, reunida em Casa: o seu Desenho, Poesias Completas, A Analogia das Folhas e O Anel Débil, a temática amorosa e a consciência da morte, a reflexão sobre a poesia e sobre o carácter ontológico da linguagem, o reflexo da especulação filosófica heideggeriana e platónica, a tendência para o verso regular constituem algumas das características presentes em A Face Junto ao Vento, retomadas em obras poéticas posteriores.

Como tradutor, Fernando Guimarães trabalhou sobre obras de autores como Lord Byron, Dylan Thomas ou John Keats.

Recebeu, entre outros, o Prémio D. Dinis (1985), o Pen Clube (1988), o Prémio Luís Miguel Nava (2003) e o Grande Prémio de Poesia da APE pelo livro Na Voz de um Nome (2007). (Daqui)


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