terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"O Tempo Gastador de Mil Idades"... Soneto de Francisco Joaquim Bingre


Gerrit Adriaenszoon Berckheyde (1638 - 1698), The new City Hall of Amsterdam, 1673



O Tempo Gastador de Mil Idades

 
O Tempo gastador de mil idades,
Que na décima esfera vive e mora,
Não descansa co'a Fúria tragadora,
De exercitar, feroz, suas crueldades.

Ele destrói as ínclitas cidades,
As egípcias pirâmides devora:
Sua dentada fouce assoladora,
Rompe forças viris, destrói beldades.

O bronze, o ouro, o rígido diamante,
A sua mão pesada amolga e gasta
Levando tudo ao nada, em giro errante.

Como trovão feroz rugindo arrasta,
Quanto cobre na Terra o sol radiante,
Só da Virtude com temor se afasta.


Francisco Joaquim Bingre (1763-1856), in 'Sonetos' 



Johannes Lingelbach (1622–1674), The Stadhuis under construction, 1656



Pensamento


"Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim."


(Nicolas Boileau-Despréaux)

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