quinta-feira, 30 de abril de 2015

"Dizeres Íntimos" - Poema de Florbela Espanca


Ferdinand Hodler, The dream, 1897 



Dizeres Íntimos


É tão triste morrer na minha idade! 
E vou ver os meus olhos, penitentes 
Vestidinhos de roxo, como crentes 
Do soturno convento da Saudade! 

E logo vou olhar (com que ansiedade!...) 
As minhas mãos esguias, languescentes, 
De brancos dedos, uns bebés doentes 
Que hão-de morrer em plena mocidade! 

E ser-se novo é ter-se o Paraíso, 
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida, 
Aonde tudo é luz e graça e riso! 

E os meus vinte e três anos ... (Sou tão nova!) 
Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida!...” 
Responde a minha Dor: “Que linda a cova!” 


Florbela Espanca,
 in "Livro de Mágoas" 


Toni Braxton - Un-Break My Heart



«Sou fascinada pelo lado complicado. Tenho um olho alegre que vive: sou uma pessoa despachada, adoro família, adoro a natureza. Mas eu tenho um outro olho que observa o lado difícil, sombrio. A minha literatura nunca vai ser "aí casaram e foram felizes para sempre". Minha literatura sempre nasceu do conflito, da dificuldade, do isolamento.»


Lya Luft

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