quarta-feira, 8 de abril de 2015

"Noite Vazia"... Poema de Edmundo Bettencourt


Vincent van Gogh (Post-Impressionism, 1853-1890), In the Bois de Boulogne, 1886



Noite Vazia


Crescimento do silêncio a devorar as nuvens. 
Voo incansável e monótono das aves brancas do cérebro. 
Florida e ondulada suspensão da mágoa. 
As ferocidades são ternuras desmaiando na estepe adivinhada. 
O amor abre goelas bocejantes nos côncavos da ausência do espaço. 
E a morte espreitando a lentidão 
irradia baçamente a sua despedida. 

Noite vazia. 

As aves brancas do cérebro 
inutilmente abatem as suas asas! 


Edmundo Bettencourt, in 'Poemas Surdos'

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