quinta-feira, 9 de abril de 2015

"Quem ama a liberdade conhece que é idêntica"... Poema de António Ramos Rosa


Luiz Cavalli, Ele e Ela, 2014, 78 x122cm, foto anos 70 pintada em acrílico sobre tela



Quem ama a liberdade conhece que é idêntica



Quem ama a liberdade conhece que é idêntica
a verdade e a não-verdade o ser e o vazio
e por isso na sua celebração a metáfora expande-se
na liberdade de ser a ténue sabedoria
desse momento e só desse momento em que o arco cresce
Há então que procurar a chuva dessa nuvem
ou desdizê-Ia não para o nosso olhar
mas para um outro rosto de areia que cresce no vazio
e poderá ser de pedra ou de ouro ou só de uma penugem
O poema é o encontro destas duas faces
de nenhuma substância quando no vazio do céu
os anjos se diluem com as mãos despojadas



António Ramos Rosa, 
As espirais do silêncio

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