quinta-feira, 18 de junho de 2015

"Cantiga"... Poema de João Cabral do Nascimento





Cantiga


Deixa-te estar na minha vida
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida.
Como um navio sobre o mar. 


in «366 Poemas que falam de Amor»,
Antologia organizada por Vasco Graça Moura,
Lisboa: Quetzal, 2003



Pintura de Peder Severin KrøyerHip hip hurra! Festa de artistas em Skagen em 1888. 

Da esquerda para a direita: Martha Johansen, Viggo Johansen, Christian Krohg, P.S. Krøyer, Degn Brøndum (irmão de Anna Ancher), Michael Ancher, Oscar Björck, Thorvald Niss, Helene Christensen, Anna Ancher e Helga Ancher. Museu de Arte de Gotemburgo.

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