domingo, 30 de agosto de 2015

"Pedra Tumular" - Poema de António Manuel Couto Viana


Fortunato Depero, War-party, 1925. National Gallery of Modern Art, Rome



Pedra Tumular


A minha geração fugiu à guerra, 
Por isso a paz que traz não tem sentido: 
É feita de ignorância e de castigo, 
Tão rígida e tão fria como a pedra. 

Desfazem-se-lhe as mãos em gestos frágeis, 
Duma verdade inútil por vazia, 
E a língua imóvel nega o som à vida, 
Por hábito ou por falta de coragem. 

Se há rumores lá de fora, às vezes, lembra: 
Porque é que pulsa o coração do mundo, 
Precipitado, angustioso, ardente? 

Mas depressa submerge na indiferença 
- Que lhe deram um túmulo seguro; 
E o relógio dá-lhe horas certas, sempre. 


in 'Mancha Solar'



Fortunato Depero, The Chair’s Party, 1927



"A biblioteca é o templo do saber, e este tem libertado mais pessoas do que todas as guerras da história."



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