sábado, 28 de novembro de 2015

"Soneto de Contrição" - Poema de Vinicius de Moraes


Friedrich von Amerling, A Pensive Moment, 1835



Soneto de Contrição 


Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto. 

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa. 

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma… 

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.


in 'Antologia Poética'

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