segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

"Converteu-se-me em Noite o Claro Dia" - Soneto de Luís Vaz de Camões


Baldassare Peruzzi (1481–1537), Muses Dancing with Apollo (c.1514/1523)



Converteu-se-me em Noite o Claro Dia 


Apolo e as nove Musas, descantando 
Com a dourada lira, me influíam 
Na suave harmonia que faziam, 
Quando tomei a pena, começando: 

Ditoso seja o dia e hora, quando 
Tão delicados olhos me feriam! 
Ditosos os sentidos que sentiam 
Estar-se em seu desejo traspassando! 

Assim cantava, quando Amor virou 
A roda à esperança, que corria 
Tão ligeira, que quase era invisível. 

Converteu-se-me em noite o claro dia; 
E, se alguma esperança me ficou, 
Será de maior mal, se for possível. 


Luís de Camões, in "Sonetos"



Atena junto às Musas, de Frans Floris (c. 1560)



"Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo."


A Ilha dos Amores,
Na estrofe LXXXIII do Canto IX de “Os Lusíadas


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