quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

"Calmaria" - Poema de Miguel Torga


Will Barnet, Idle hands,1935



Calmaria


Nada! 
Horas e horas neste ponto morto 
Onde caiu agora a minha vida... 
Nem um desejo, ao menos! 
Só instintos pequenos: 
Apetite de cama e de comida! 

Nem sequer ler um livro 
Ou conversar comigo, discutir... 
Nada! 
Neutro, morno, a dormir 
Com a carne acordada. 


Miguel Torgain 'Diário (1939)'



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