sexta-feira, 25 de março de 2016

"Green God" - Poema de Eugénio de Andrade





Green God


Trazia consigo a graça 
das fontes quando anoitece. 
Era o corpo como um rio 
em sereno desafio 
com as margens quando desce. 

Andava como quem passa 
sem ter tempo de parar. 
Ervas nasciam dos passos, 
cresciam troncos dos braços 
quando os erguia no ar. 

Sorria como quem dança. 
E desfolhava ao dançar 
o corpo, que lhe tremia 
num ritmo que ele sabia 
que os deuses devem usar. 

E seguia o seu caminho, 
porque era um deus que passava. 
Alheio a tudo o que via, 
enleado na melodia 
duma flauta que tocava. 








"A solidão é um bom lugar para se visitar, mas não é nada bom para se lá ficar."




Sem comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...