terça-feira, 15 de março de 2016

"O Silêncio" - Poema de Eugénio de Andrade


Alberto Pisa, Reading



O Silêncio



Quando a ternura 
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca, 
inda demora,

quando azuis irrompem 
os teus olhos

e procuram 
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras 
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.



Eugénio de Andrade,
in "Obscuro Domínio"


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