sexta-feira, 15 de abril de 2016

"Pastor do Monte, Tão Longe de Mim" - Poema de Alberto Caeiro


António da Silva Porto, Guardando o rebanho



Pastor do Monte, Tão Longe de Mim


Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas 
Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha? 
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te? 
Não, nem a ti nem a mim, pastor. 
Pertence só à felicidade e à paz. 
Nem tu a tens, porque não sabes que a tens. 
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho. 
Ela é ela só, e cai sobre nós como o sol, 
Que te bate nas costas e te aquece, e tu pensas 
noutra cousa indiferentemente, 
E me bate na cara e me ofusca. e eu só penso no sol. 


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa



Max Liebermann, Woman and Her Goats in the Dunes, 1890



"Amor, fascinante amor, o campo é o teu templo." 


Le Printemps 


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