quarta-feira, 13 de abril de 2016

"Sem outra palavra para mantimento" - Poema de Daniel Faria


Paul Cezanne, Jas de Bouffan, the pool, c.1876



Sem outra palavra para mantimento


Sem outra palavra para mantimento 
Sem outra força onde gerar a voz 
Escada entre o poço que cavaste em mim e a sede 
Que cavaste no meu canto, amo-te 
Sou cítara para tocar as tuas mãos. 
Podes dizer-me de um fôlego 
Frase em silêncio 
Homem que visitas 
Ó seiva aspergindo as partículas do fogo 
O lume em toda a casa e na paisagem 
Fora da casa 
Pedra do edifício aonde encontro 
A porta para entrar 
Candelabro que me vens cegando. 
Sol 
Que quando és noturno ando 
Com a noite em minhas mãos para ter luz. 


(1971-1999)
in "Dos Líquidos"


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