segunda-feira, 30 de maio de 2016

"Leve, leve, o luar" - Poema de Afonso Lopes Vieira


Carl Spitzweg, A Woodland Meeting, c. 1860



Leve, leve, o luar


Leve, leve, o luar de neve
goteja em perlas leitosas,
o luar de neve e tão leve
que ameiga o seio das rosas.

E as gotas finas da etérea
chuva, caindo do ar,
matam a sede sidéria
das coisas que embebe o luar.

A luz, oh sol, com que alagas,
abre feridas, e a lua
vem pôr no lume das chagas
o beijo da pele nua.


Afonso Lopes Vieira,
in 'País Lilás, Desterro Azul'


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