domingo, 28 de agosto de 2016

"Grão de incenso" - Poema de Augusto Gil


Émile Bernard, Lady in the rain, 1895



Grão de incenso


Entraste com ar cansado 
Numa igreja fria e triste. 
Ajoelhei-me ao teu lado 
– E nem ao menos me viste...

Ficaste a rezar ali, 
Naquela imensa tristeza. 
Rezei também, mas a ti. 
– Que aos anjos também se reza...

Ficaste a rezar até 
Manhã dentro, manhã alta. 
Como é que tens tanta fé 
E a caridade te falta?...


In, Luar de Janeiro


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