quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"Poesia depois da Chuva" - Poema de Sebastião da Gama


William Oliver (British, 1823 – 1901), The Letter



Poesia depois da Chuva
A Maria Guiomar 


Depois da chuva o Sol - a graça. 
Oh! a terra molhada iluminada! 
E os regos de água atravessando a praça 
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase. 

Canta, contente, um pássaro qualquer. 
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça. 
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça. 

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar. 

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado 
antes do Sol, não duvidava agora.) 
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual 
às manhãs do princípio! 

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro. 
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde... 
Flor levada nas águas, mansamente... 

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...) 

 in 'Pelo Sonho é que Vamos'




William Oliver (British, 1823 – 1901), An English Rose



"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla." 




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