quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

"A Fúria mais Fatal e mais Medonha" - Poema de Francisco Joaquim Bingre


Edvard Munch, "Jealousy", 1895, óleo sobre tela



A Fúria mais Fatal e mais Medonha


Das Fúrias infernais foi sempre a Inveja 
No mundo a mais fatal e a mais medonha, 
Pois faz dos bens dos outros a peçonha 
Com que a si mesma se envenena e peja. 

Com ira e com furor, raivosa, arqueja, 
Com vinganças, traições, com ódios sonha. 
Onde quer que se encoste e os olhos ponha, 
Tragar as ditas dos mortais deseja. 

Mãe dos males fatais à Sociedade, 
Vidas, honras destrói, cismas fomenta, 
Nutrindo na alma as serpes da Maldade. 

O próprio coração que come a alenta, 
Vive afogada em ondas de ansiedade, 
Da frenética raiva se alimenta.


Francisco Joaquim Bingre
(1763-1856)
in 'Sonetos'


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