segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Ó Máquinas Febris" - Poema de Guilherme de Azevedo


Thomas Anshutz, The Ironworkers' Noontime, 1880, Fine Arts Museums of San Francisco.



Ó Máquinas Febris


Ó máquinas febris! eu sinto a cada passo, 
nos silvos que soltais, aquele canto imenso, 
que a nova geração nos lábios traz suspenso 
como a estância viril duma epopeia d'aço! 

Enquanto o velho mundo arfando de cansaço 
prostrado cai na luta; em fumo negro e denso 
levanta-se a espiral desse moderno incenso 
que ofusca os deuses vãos, anuviando o espaço! 

Vós sois as criações fulgentes, fabulosas, 
que, vibrantes, cruéis, de lavas sequiosas, 
mordeis o pedestal da velha Majestade! 

E as grandes combustões que sempre vos consomem 
começam, num cadinho, a refundir o homem 
fazendo ressurgir mais larga a Humanidade! 


Guilherme de Azevedo, in 'A Alma Nova'


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