domingo, 16 de julho de 2017

"Forma de inocência" - Poema de António Gedeão


André Derain, Portrait of a Man with a Newspaper, 1911-1914, 
Hermitage Museum



Forma de inocência


Hei de morrer inocente
exatamente
como nasci.
Sem nunca ter descoberto
o que há de falso ou de certo
no que vi.

Entre mim e a evidência
paira uma névoa cinzenta.
Uma forma de inocência,
que apoquenta.

Mais que apoquenta:
enregela
como um gume
vertical.
E uma espécie de ciúme
de não poder ver igual.





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