sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"Grito o teu nome" - Poema de António Ramos Rosa


Pino Daeni, Mystic Dreams 



Grito o teu nome


Grito o teu nome
e se as formigas já comem a terra nos meus lábios

Tu dizes vive
gravitando cada vez mais longe
cada vez mais dentro
do meu círculo de veias

As palavras enterram-se
na minha voz
porque tu és o corpo que abandono sempre
sem querer sem o saber ainda

Mas é possível
ir além das imagens
ou no interior delas afugentar a morte

Escuto o teu rumor de espaço vivo
e fujo como um prisioneiro
que pressente o seu corpo de claridade




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