domingo, 4 de fevereiro de 2018

"O cavalo e a estrela" - Poema de Matilde Rosa Araújo


Edgar Degas, At the Stables, Horse and Dog, c. 1862 



O cavalo e a estrela


Esta história muito antiga
Contou-ma foi minha mãe:
Quem conta um conto acrescenta um ponto
E eu acrescento-o também.

Era uma vez um pastor
No abrigo de uma serra,
Chamada Serra da Estrela
Quase no cabo da terra.

No Inverno a neve branca
O chão da serra cobria
E naquela solidão
O pastor assim vivia.

As ovelhas em seu redor
Faziam uma roda mansa:
Eram mantas de ternura
Numa roda que não cansa.

Para as ovelhas guardar
- Que os lobos matam rebanhos!
O pastor tinha um cão
De meigos olhos castanhos.

Havia silêncio na serra,
Tudo na serra dormia,
Quando apareceu um cavalo
A correr na noite fria.

Caía o luar na serra
Tudo na serra luzia,
Quando apareceu o cavalo
A correr na serra fria.

Foi acordado o pastor,
Ladrou o seu cão fiel,
E ali parou o cavalo,
Castanho da cor do mel.

Caía o luar na serra
E o cavalo ali parado:
Não era um lobo feroz,
Não era um lobo esfaimado.

Caiu uma estrela ardente
Na sua cabeça tão fina:
Eram os olhos mais azuis
Como a água de uma mina.

Brilhava de mansidão
O seu olhar sem sossego
E à lembrança do pastor
Vem a água do Mondego.

Começa o filho a falar:
- Sou filho da Primavera
E eu vim anunciar
Que ela está na serra à espera.

Esta estrela, sobre a testa,
Queima meu corpo de mel,
Cega meus olhos azuis
Numa fogueira cruel.

Adeus pastor, meu amigo,
Fica com o teu cão, teu gato,
Já podes sair do abrigo,
Eu já te dei o recado.

O pastor tinha uma flauta
Onde seu sonhar dormia
E tocou-a de madrugada
Com cristais de neve fria.

E o cavalo correu, voou,
Ganhou asas a arder:
O cavalo cor de mel
Era a manhã a nascer.

Esta história muito antiga
Contou-ma foi minha mãe:
Quem conta um conto acrescenta um ponto
E eu acrescento-o também.





Esta história muito antiga
Contou-ma foi minha mãe:
Quem conta um conto acrescenta um ponto
E eu acrescento-o também.

Era uma vez um pastor
No abrigo de uma serra,
Chamada Serra da Estrela
Quase no cabo da terra.

No Inverno a neve branca
O chão da serra cobria
E naquela solidão
O pastor assim vivia.

As ovelhas em seu redor
Faziam uma roda mansa:
Eram mantas de ternura
Numa roda que não cansa.

Para as ovelhas guardar
- Que os lobos matam rebanhos!
O pastor tinha um cão
De meigos olhos castanhos.

Havia silêncio na serra,
Tudo na serra dormia,
Quando apareceu um cavalo
A correr na noite fria.

Caía o luar na serra
Tudo na serra luzia,
Quando apareceu o cavalo
A correr na serra fria.

Foi acordado o pastor,
Ladrou o seu cão fiel,
E ali parou o cavalo,
Castanho da cor do mel.

Caía o luar na serra
E o cavalo ali parado:
Não era um lobo feroz,
Não era um lobo esfaimado.

Caiu uma estrela ardente
Na sua cabeça tão fina:
Eram os olhos mais azuis
Como a água de uma mina.

Brilhava de mansidão
O seu olhar sem sossego
E à lembrança do pastor
Vem a água do Mondego.

Começa o filho a falar:
- Sou filho da Primavera
E eu vim anunciar
Que ela está na serra à espera.

Esta estrela, sobre a testa,
Queima meu corpo de mel,
Cega meus olhos azuis
Numa fogueira cruel.

Adeus pastor, meu amigo,
Fica com o teu cão, teu gato,
Já pode ssair do abrigo,
Eu já te dei o recado.

O pastor tinha uma flauta
Onde seu sonhar dormia
E tocou-a de madrugada
Com cristais de neve fria.

E o cavalo correu, voou,
Ganhou asas a arder:
O cavalo cor de mel
Era a manhã a nascer.

Esta história muito antiga
Contou-ma foi minha mãe:
Quem conta um conto acrescenta um ponto
E eu acrescento-o também.


Ler mais: http://poesia-portguesa-no-feminino.webnode.pt/products/o-cavalo-e-a-estrela/

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