domingo, 11 de março de 2018

"Filha" - Poema de Paula Glenadel


Harold Gilman (1876–1919), Mother and Child, 1918


Filha

                          para Luísa

A menina que, em sustos,
vejo crescer depressa,
que nutro com meus nervos
e que descubro falar, e ser,

me veio de um imemorial
naufrágio
em que perecemos eu e ele:
pequena pérola do pior.

Como o traço oblíquo de luz
riscado sobre uma tela
de nuvens branco-cinza,
figura, tornado agora visível,
o sutil equilíbrio instável
entre dois planos. 


 em "A vida espiralada". 
Rio de Janeiro: Editora Caetés, 1999.



Harold Gilman, Selfportrait, c. 1910


Sejam quais forem os resultados com êxito ou não, o importante é que no final cada um possa dizer: 'fiz o que pude'.



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