Mostrar mensagens com a etiqueta Cesária Évora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cesária Évora. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de dezembro de 2013

"A Minha Inspiração"... de Nelson Mandela



Nelson Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918  — Joanesburgo, 5 de dezembro de 2013) foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prémio Nobel da Paz de 1993, e Pai da Pátria da moderna nação sul-africana.
 
 
A Minha Inspiração



"A minha inspiração são os homens e as mulheres que surgiram em todo o globo e escolheram o mundo como o teatro das suas operações, e que lutam contra as condições socioeconómicas que não promovem o avanço da Humanidade, onde quer que este ocorra. Homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a doença, a iliteracia, a ignorância, a pobreza e a fome. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que me inspiraram."


Nelson Mandela, in 'Conferência na London School of Economics, Londes, 6 Abril 2000'
 
 
 
 
 
 
 
 
Cesária Évora Live D'amor 2004 (Complete Concert)
 
 
Cesária Évora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011) foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi por vezes apelidada "rainha da morna". Era conhecida como a diva dos pés descalços.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Desfecho" - Poema de Miguel Torga


Frederic Leighton, Memories, 1883



Desfecho


Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte).

Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente,
Do teu vulto calado,
E paciente...

E lutei, como luta um solitário
Quando, alguém lhe perturba a solidão
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.

Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.


Miguel Torga, 
Câmara Ardente



Cesária Évora - Negue 



"As frivolidades cativam os espíritos levianos."

(Ovídio)


Públio Ovídio Naso, conhecido como Ovídio nos países de língua portuguesa (Sulmona, 20 de março de 43 a.C. — Constança, Romênia, 17 ou 18 d.C.) foi um poeta romano que é mais conhecido como o autor de Heroides, Amores, e Ars Amatoria, três grandes coleções de poesia erótica, Metamorfoses, um poema hexâmetro mitológico, Fastos, sobre o calendário romano, e Tristia e Epistulae ex Ponto, duas coletâneas de poemas escritos no exílio, no mar Negro.
Ovídio foi também o autor de várias peças menores, Remedia Amoris, Medicamina Faciei Femineae, e Íbis, um longo poema sobre maldição. Também é autor de uma tragédia perdida, Medeia. É considerado um mestre do dístico elegíaco e é tradicionalmente colocado ao lado de Virgílio e Horácio como um dos três poetas canônicos da literatura latina. O estudioso Quintiliano considerava-o o último dos elegistas amorosos latinos canônicos. Sua poesia, muito imitada durante a Antiguidade tardia e a Idade Média, influenciou decisivamente a arte e a literatura europeias, particularmente Dante, Shakespeare e Milton, e permanece como uma das fontes mais importantes de mitologia clássica. Seu estilo tem caráter jocoso e inteiramente pessoal — às vezes o eu-lírico de seus poemas são o próprio Ovídio.
Escreveu sobre amor, sedução, exílio e mitologia. Estudou retórica com grandes mestres de Roma e viajou para Atenas e Ásia exercendo funções públicas com o objetivo de tornar-se um Cícero, mas, para desgosto do pai, resolveu dedicar sua vida à poesia.


sábado, 17 de dezembro de 2011

"Heroísmos" - Poema de Cesário Verde


Winslow Homer, Watching the Breakers (1891)



Heroísmos


Eu temo muito o mar, o mar enorme, 
Solene, enraivecido, turbulento, 
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento; 
O mar sublime, o mar que nunca dorme. 

Eu temo o largo mar, rebelde, informe, 
De vítimas famélico, sedento, 
E creio ouvir em cada seu lamento 
Os ruídos dum túmulo disforme. 

Contudo, num barquinho transparente, 
No seu dorso feroz vou blasonar, 
Tufada a vela e n'água quase assente, 

E ouvindo muito ao perto o seu bramar, 
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente, 
Escarro, com desdém, no grande mar! 


in 'O Livro de Cesário Verde' 



Cesária Évora


Cesária Évora (Mindelo, em Cabo Verde, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de Dezembro de 2011), também conhecida como «a diva dos pés descalços», foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi por vezes apelido "rainha da morna".

domingo, 16 de outubro de 2011

"Alma Perdida" - Poema de Florbela Espanca




Alma Perdida


Toda esta noite o rouxinol chorou, 
Gemeu, rezou, gritou perdidamente! 
Alma de rouxinol alma da gente, 
Tu és, talvez, alguém que se finou! 

Tu és, talvez, um sonho que passou, 
Que se fundiu na Dor, suavemente... 
Talvez sejas a alma, a alma doente 
D'alguém que quis amar e nunca amou! 

Toda a noite choraste... e eu chorei 
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei 
Que ninguém é mais triste do que nós! 

Contaste tanta coisa à noite calma, 
Que eu pensei que tu eras a minh'alma 
Que chorasse perdida em tua voz!...


Florbela Espanca 



Marisa Monte e Cesária Évora - É Doce Morrer no Mar

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Sinfonia de Cor" - Poema de Armando Côrtes-Rodrigues


José Navarro Llorens (pintor espanhol, 1867-1923), La playa de Valencia


Sinfonia de Cor


Sempre defronte
de mim
o mar azul, o mar imenso, o mar sem fim,
todo igual e azul até ao horizonte.

Neste dia delirante
de luz crua a jorrar, intensa, lá do alto,
uma vela distante
mancha de branco o seu azul-cobalto.

Um traço de espuma branca
junto à penedia
marca a linha da costa em enseada franca.

E a nota branca
das gaivotas em bando,
esvoaçando
à revelia,
e um ritmo novo de alegria,
de ruído e de graça.

Perto uma vela passa,
lenço branco a acenar...

Não ter asas também para poder voar
aonde me levasse a minha fantasia!
E ser gaivota e mergulhar
na água e bater asas,
alegre, todo o dia!

Poisar nos calhaus negros, que são brasas,
brasas negras a arder,
e ver aos pés a referver
aos borbotões de espuma.

Dar um grito e subir,
subir alto e distante,
já quando a terra se esfuma
e o mar aumenta, quanto mais avante.

Partir!

Partir para o delírio das alturas,
só, entre o céu e o mar,
longe do mundo e mais das criaturas.

Ah! Não ter asas e poder voar
de alma desvairada,
entontecer-me de espaço...

– Nota branca riscada
entre o azul do céu e o azul do mar.

Depois voltar
para ver
o sol morrer
num clarão de fogueira,
incendiando o céu, metalizando o mar...

E ver a noite abrir
o regaço
para deixar cair
uma a uma as estrelas.

Adormecer a vê-las...

Depois sonhar,
num delírio de cor, a noite inteira.


Armando César Côrtes-Rodrigues,
in 'Antologia Poética' 


 
José Navarro Llorens, Horse-drawn Carriage and Child on the Beach


"Se eu não fosse um físico, provavelmente seria músico. Eu penso sobre música frequentemente. Eu sonho acordado com música. Eu vejo minha vida em termos de música... obtenho mais alegria na vida através da música." 

(Albert Einstein)



Cesária Évora - Mar Azul


Cize, como era conhecida Cesária Évora, nasceu a 27 de Agosto de 1941 no Mindelo - Cabo Verde e veio a falecer em 17 de Dezembro de 2011. Aos 16 anos começou a cantar em bares e hotéis, donde veio a ganhar o epíteto de Rainha das Mornas.
Cesária tinha essa enorme capacidade de através da melodia e pela sua voz, por a alma, de buscar no fundo todo um passado vivido, com uma naturalidade crua e vestida de imensa arte.
Desde a saudade da terra natal, à colonização portuguesa que por via do pai, viveu socialmente as complexas relações sociais, até à emigração escrava de São Tomé.
Voz que também foi ouvida pelos soldados portugueses, em finais dos anos 60 através da rádio, principalmente na Guiné, quando ainda não tinha dimensão internacional.
Deixou de cantar durante uns anos para sustentar a família com o seu trabalho. Mais tarde encorajada pelo conhecido músico Bana, volta a cantar. Mas o salto internacional deu-se quando um empresário luso-francês, José da Silva a encorajou a atuar em Paris, gravando em 1988 o álbum "La diva aux pied nus" (A Diva dos pés descalços). A partir daí ganhou projeção internacional, dando espetáculos um pouco por todo o mundo. Tem o seu ponto alto quando ganha em 2004 o Grammy de melhor álbum de World Music contemporânea.
Fica, em seu registo histórico, dentro de sua passagem nesta vida, a voz e o ritmo, de uma certa maneira de viver e de estar.
Cantava com a alma e o espírito interligados como se de uma ciência complexa fosse.
Sabia da "moenga", aliás a sua música era e é dinâmica. Com um cigarro na mão e um copo de whisky na outra, a sua música é subtilmente entendida no espírito, após o ouvinte passar certas fronteiras de estados de almas... Nesses patamares mais subtis da consciência, sente-se na plenitude, a música de Cesária Évora... Uma verdadeira Diva que atravessa gerações.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...