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domingo, 3 de setembro de 2017

"Porto Sentido" - Poema de Carlos Tê / Rui Veloso

Porto Sentido


Quem vem e atravessa o rio,
junto à Serra do Pilar,
vê um velho casario
que se estende até ao mar. 

Quem te vê ao vir da Ponte
és cascata sanjoanina
erigida sobre um monte,
no meio da neblina,
por ruelas e calçadas,
da Ribeira até à Foz,
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós. 

Esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria. 

Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento,
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento...
e é sempre a primeira vez,
em cada regresso a casa,
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa.





Porto sentidoRui Veloso



"A admiração começa onde acaba a compreensão."


segunda-feira, 29 de maio de 2017

"Confissão" - Poema de Charles Baudelaire





Confissão


Uma vez, uma só, graciosa e doce amante,
Teu suave braço sobre o meu
Pousou (no fundo em trevas de minha alma, o instante
Que então vivemos não morreu);

Era bem tarde; qual efígie luminosa,
A lua cheia se exibia,
Enquanto a noite, como um rio, majestosa,
Sobre Paris em calma fluía.

E junto às casas, por debaixo dos portais,
Gatos furtivos se moviam,
O ouvido alerta, ou, como sombras fraternais,
A passo lento nos seguiam.

Súbito, em meio àquela intimidade franca
Nascida a luz ainda escassa,
De ti, rico instrumento ao qual nunca se arranca
Senão a mais vibrante graça,

De ti, alegre e clara como uma fanfarra
Imersa na manhã radiante,
Uma nota queixosa, uma nota bizarra
No ar oscilou toda hesitante

Qual menino franzino e macilento e imundo,
A quem os pais, por pejo ou medo,
Longo tempo escondessem aos olhos do mundo,
Como se esconde um vil segredo.

Anjo infeliz, ela trauteava a nota aguda:
“Aqui na Terra é tudo engano,
E mesmo que a si próprio alguém sempre se iluda,
Revela-se o egoísmo humano;

Ser bela é ofício cujo preço se conhece,
É o espetáculo banal
Da bailarina louca e fria que fenece
Com um sorriso maquinal;

Semear nos corações é sucumbir ao pranto;
Finda-se o amor, vem a saudade,
Até que o Esquecimento os arremesse a um canto
E os lance enfim à Eternidade!”

Muita vez evoquei esta lua encantada,
Este silêncio noite afora,
E esta medonha confidência sussurrada
Ao coração que a escuta agora.


in As flores do mal



sexta-feira, 31 de março de 2017

"A Música" - Poema de Charles Baudelaire





A Música


A música p'ra mim tem seduções de oceano! 
Quantas vezes procuro navegar, 
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano, 
Minha pálida estrela a demandar! 

O peito saliente, os pulmões distendidos 
Como o rijo velame d'um navio, 
Intento desvendar os reinos escondidos 
Sob o manto da noite escuro e frio; 

Sinto vibrar em mim todas as comoções 
D'um navio que sulca o vasto mar; 
Chuvas temporais, ciclones, convulsões 

Conseguem a minh'alma acalentar. 
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera, 
Que desespero horrível me exaspera! 


Tradução de Delfim Guimarães




Caravaggio, The Lute Player1595-1596,  Hermitage MuseumSaint Petersburg (Hermitage version)



"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia." 



Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Adagio
(Τhis version is made by Elise Robineau)


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"Obsessão" - Poema de Charles Baudelaire


Julius von Klever, 1881, Autumnal landscape 



Obsessão


Os bosques para mim são como catedrais,
Com orgãos a ulular, incutindo pavor...
E os nossos corações, - jazidas sepulcrais,
De profundis também soluçam, n'um clamor.

Odeio do oceano as iras e os tumultos,
Que retratam minh'alma! O riso singular
E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
É um riso semelhante ao do soturno mar.

Ai! como eu te amaria, ó Noite, caso tu
Pudesses alijar a luz que te consteia,
Porque eu procuro o Nada, o Tenebroso, o Nu!

Que a própria escuridão é também uma teia,
Onde vejo fulgir, na luz dos meus olhares.
Os entes que perdi, - espetros familiares!


Tradução de Delfim Guimarães



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"O Inimigo" - Poema de Charles Baudelaire





O Inimigo


A mocidade foi-me um temporal bem triste, 
Onde raro brilhou a luz d'um claro dia; 
Tanta chuva caiu, que quase não existe 
Uma flor no jardim da minha fantasia. 

E agora, que alcancei o outono, alquebrantado, 
Que paciente labor não preciso — ai de mim! — 
Se quiser renovar o terreno encharcado, 
Cheio de boqueirões, que é hoje o meu jardim! 

E quem sabe se as flores ideais que ora cobiço 
Iriam encontrar no chão alagadiço 
O preciso alimento ao seu desabrochar? 

Corre o tempo veloz, num galope desfeito, 
E a Dor, a ingente Dor, que nos corrói o peito, 
Com nosso próprio sangue, a crescer, a medrar! 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal" 
Tradução de Delfim Guimarães



Felix Nussbaum, 'Self-portrait', 1940


Felix Nussbaum (11 de Dezembro de 1904, Osnabrück - 2 de Agosto de 1944, Auschwitz) foi um pintor alemão de origem judaica, com várias obras que ilustram os horrores do Holocausto, do qual ele foi vítima. Estudou em Hamburgo e Berlim, arte, livre e aplicada (freie und angewandte Kunst). Nos anos 1920 e 30 as suas exposições em Berlim tiveram grande sucesso. Com a chegada ao poder dos Nazis em 1933, foi obrigado a viver no exílio, em Itália, França e finalmente na Bélgica (Bruxelas) com a sua mulher, a polaca Felka Platek, com quem casou em 1937. Com a ocupação pelos alemães e o regime de Vichy, foi internado num campo de concentração em França. Conseguiu no entanto fugir com a sua mulher e esconder-se na casa de um amigo, também um artista, em Bruxelas. Foi traído e denunciado em Junho de 1944 e imediatamente preso, juntamente com a sua mulher. Foi levado para campo de concentração de Malines (ou Mecheln) de onde foi levado para Auschwitz, onde foi assassinado em 2 de Agosto de 1944, presumivelmente com a sua mulher.
Em 1998 foi inaugurado em Osnabrueck o Museu Felix-Nussbaum (Felix-Nussbaum-Haus), no qual está exposta a totalidade das suas obras, mais de 160 quadros. Os planos do edifício couberam ao famoso arquitecto Daniel Libeskind.



Felix Nussbaum, Self Portrait with Jewish Identity Card, 1943


"Nada, na História, serve para ensinar aos Homens a possibilidade de viverem em paz. É o ensino oposto que dela se destaca - e se faz acreditar."




quinta-feira, 31 de julho de 2014

"Intangível" - Poema de Charles Baudelaire


Joaquín Sorolla y Bastida, Cafe in Paris,1885




Intangível


Quero-te como quero à abóbada noturna, 
Ó vazo de tristeza, ó grande taciturna! 
E tanto mais te quero, ó minha bem amada, 
Por te ver a fugir, mostrado-te empenhada 
Em fazer aumentar, irónica, a distância 

Que me separa a mim da celestial estância. 
Bem a quero atingir, a abóbada estrelada, 
Mas, se julgo alcançar, vejo-a mais afastada! 
Pois se eu adoro até - ferro monstro, acredita! - 
O teu frio desdém, que te faz mais bonita! 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães 




Galeria de Joaquín Sorolla y Bastida
Joaquín Sorolla y Bastida, The Happy Day, 1892



Joaquín Sorolla y Bastida, The First Child, 1890



Joaquín Sorolla y Bastida, Kissing the Relic



Joaquín Sorolla y Bastida, The Suckling Child, 1894



Joaquín Sorolla y Bastida, Blessing the Boat,1895



Joaquín Sorolla y Bastida, Entrance to Central Park



"A mais nobre paixão humana é aquela que ama a imagem da beleza em vez da realidade material. O maior prazer está na contemplação." 



domingo, 30 de junho de 2013

"Correspondências" - Poema de Charles Baudelaire


Ivan ShishkinMorning in a Pine Forest



Correspondências


A natureza é um templo augusto, singular, 
Que a gente ouve exprimir em língua misteriosa; 
Um bosque simbolista onde a árvore frondosa 
Vê passar os mortais, e segue-os com o olhar. 

Como distintos sons que ao longe vão perder-se, 
Formando uma só voz, de uma rara unidade, 
Tem vasta como a noite a claridade, 
Sons, perfumes e cor logram corresponder-se 

Há perfumes subtis de carnes virginais, 
Doces como o oboé, verdes como o alecrim, 
E outros, de corrupção, ricos e triunfais 

Como o âmbar e o musgo, o incenso e o benjoim, 
Entoando o louvor dos arroubos ideais, 
Com a larga expansão das notas d'um clarim. 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal" 
Tradução de Delfim Guimarães



Ivan Shishkin, A Rye Field



"Nenhum grande artista vê as coisas como realmente são. Caso contrário, deixaria de ser um artista."

(Oscar Wilde)



 
Oscar Wilde
Irlanda
1854 // 1900
Escritor/Poeta/Dramaturgo/Ensaísta


Queen - 'Bohemian Rhapsody'

sexta-feira, 22 de março de 2013

"Os Mochos" - Poema de Charles Baudelaire


"Birds", by the Spanish visual poet Javier Jaén



Os Mochos 


Sob os feixos onde habitam, 
Os mochos formam em filas; 
Fugindo as rubras pupilas, 
Mudos e quietos, meditam. 

E assim permanecerão 
Até o Sol se ir deitar 
No leito enorme do mar, 
Sob um sombrio edredão. 

Do seu exemplo, tirai 
Proveitoso ensinamento: 
— Fugí do mundo, evitai 

O bulício e o movimento... 
Quem atrás de sombras vai, 
Só logra arrependimento! 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal" 
Tradução de Delfim Guimarães 


segunda-feira, 18 de junho de 2012

"A Giganta" - Poema de Charles Baudelaire


John N. Agnew (American, b. 1952)



A Giganta


No tempo em que a Natura, augusta, fecundanta, 
Seres descomunais dava à terra mesquinha, 
Eu quisera viver junto d'uma giganta, 
Como um gatinho manso aos pés d'uma rainha! 

Gosta de assistir-lhe ao desenvolvimento 
Do corpo e da razão, aos seus jogos terríveis; 
E ver se no seu peito havia o sentimento 
Que faz nublar de pranto as pupilas sensíveis 

Percorrer-lhe a vontade as formas gloriosas, 
Escalar-lhe, febril, as colunas grandiosas; 
E às vezes, no verão, quando no ardente solo 

Eu visse deitar, numa quebreira estranha estranha, 
Dormir serenamente à sombra do seu colo, 
Como um pequeno burgo ao sopé da montanha! 


Tradução de Delfim Guimarães  



John N. Agnew


Nenhum Animal é Insatisfeito


«Eu penso que poderia retornar e viver com animais, tão plácidos e autocontidos; eu paro e me ponho a observá-los longamente. Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição; eles não se deitam despertos no escuro e choram pelos seus pecados; eles não me deixam nauseado discutindo o seu dever perante Deus. Nenhum deles é insatisfeito, nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas; nenhum se ajoelha para o outro, nem para os que viveram há milhares de anos; nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.» 


Walt Whitman (1819 / 1892), in "Song of Myself"


John N. Agnew


"A nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra." 




John N. Agnew


"A pintura é poesia sem palavras." 




John N. Agnew


"A pintura deve parecer uma coisa natural vista num grande espelho."




John N. Agnew


"Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar."




Lisa Gerrard - Come Tenderness


terça-feira, 1 de maio de 2012

"Assim a casa seja" - Poema de Lídia Jorge


Pintura de Rob Hefferan



Assim a casa seja 


Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada 

Voltaste, já voltaste
Já entras como sempre
Abrandas os teus passos
E páras no tapete 

Então que uma luz arda
E assim o fogo aqueça
Os dedos bem unidos
Movidos pela pressa. 

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada

Voltaste, já voltei
Também cheia de pressa
De dar-te, na parede
O beijo que me peças 

Então que a sombra agite
E assim a imagem faça
Os rostos de nós dois
Unidos pela graça. 

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada 

Amor, o que será 
Mais certo que o futuro
Se nele é para habitar
a escolha do mais puro 

Já fuma o nosso fumo
Já sobra a nossa manta
Já veio o nosso sono
Fechar-nos a garganta. 

Então que os cílios olhem
E assim a casa seja
A árvore do Outono
Coberta de cereja. 


 inédito in «CEREJAS»,



Galeria de Rob Hefferan

Pintura de Rob Hefferan



"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família." 

(Léon Tolstoi) 



Pintura de Rob Hefferan



"O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só."

(Léon Tolstoi)




Pintura de Rob Hefferan



“As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”

(Léon Tolstoi)


Pintura de Rob Hefferan


"A palavra pode unir os homens, a palavra pode também separá-los, a palavra pode servir o amor como pode servir a amizade e o rancor. Livra-te da palavra que pode provocar o ódio." 

(Léon Tolstoi) 



Pintura de Rob Hefferan



"Quem não souber povoar a sua solidão, também não conseguirá isolar-se entre a gente." 

(Charles Baudelaire) 



Pintura de Rob Hefferan



"Compreender tudo, é tudo perdoar." 

(Léon Tolstoi) 



Pintura de Rob Hefferan



"O homem ama, porque o amor é a essência da sua alma. Por isso não pode deixar de amar." 

(Léon Tolstoi)



Pintura de Rob Hefferan 



"O segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer, mas querer sempre o que se faz."

(Léon Tolstoi)



Pintura de Rob Hefferan



"Não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade."

(Léon Tolstoi)



Pintura de Rob Hefferan


"A poesia na idade da alegria é a alegria mesma. Na idade da descoberta é a descoberta. A poesia não precisa de comover. Precisa é de mover: de mover todas as energias possíveis.” 

(Maria Alberta Menéres, in O poeta Faz-se aos 10 Anos) 




Pintura de Rob Hefferan



terça-feira, 24 de abril de 2012

"Os Gatos" - Poema de Charles Baudelaire



O Gato (Felis silvestris catus), também conhecido como gato caseiro, gato urbano ou gato doméstico, é um animal da Família dos felídeos, muito popular como animal de estimação. Ocupando o topo da cadeia alimentar, é um predador natural de diversos animais, como roedores, pássaros, lagartixas e alguns insetos.



Os Gatos  


Os amantes febris e os sábios solitários 
Amam de modo igual, na idade da razão, 
Os doces e orgulhosos gatos da mansão, 
Que como eles têm frio e cismam sedentários. 

Amigos da volúpia e devotos da ciência, 
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios; 
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos, 
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência. 

Sonhando eles assumem a nobre atitude 
Da esfinge que no além se funde à infinitude, 
Como ao sabor de um sonho que jamais termina; 

Os rins em mágicas fagulhas se distendem, 
E partículas de ouro, como areia fina, 
Suas graves pupilas vagamente acendem. 


Charles Pierre Baudelaire 



Charles-Pierre Baudelaire


Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867) foi um poeta, tradutor, teórico e crítico da arte francesa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora se tenha relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.
Numa infância e adolescência atormentada, viu-se órfão do pai aos seis anos, e passou a odiar o segundo marido de sua mãe, o general Aupick. Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu seus estudos em Lyon para iniciar uma viagem à Índia. Ao regressar, participou da revolução de 1848 e logo após dissipou seus bens  na boémia e na jogatina parisiense. Lá conheceu personalidades como Mme. Sabatier, Marie Daubrun, e uma de suas musas, a atriz Jeanne Duval. Submerso em dívidas, Baudelaire foi submetido a um conselho judiciário iniciado por seus familiares. Assim, o tutor Ancelle foi nomeado para controlar os gastos do escritor. Um facto marcante na vida de Baudelaire, deu-se em 1857 com a publicação de As Flores do Mal (Les Fleurs du Mal). Este, que é o maior título de sua carreira, contém poesias que datam de 1841. Esta obra rendeu-lhe um processo pelo tribunal correcional do Sena; uma multa por atentar à moral e aos bons costumes, além de ser obrigado a retirar seis poemas (poesies damnées) do volume original, sendo publicado na íntegra apenas nas edições póstumas, em 1911. Baudelaire também foi alvo da hostilidade da imprensa, que o julgava um subproduto degenerado do romantismo. Porém, sua carreira foi admirada e elogiada por Vitor Hugo e Gustave Flaubert, entre outros. Tanto As Flores do Mal como Pequenos Poemas em Prosa (Petits Poèmes en Prose, que depois seria intitulado Lê Spleen de Paris) foram publicados em revistas desde 1861, e introduziram novos elementos na linguagem poética, fundindo os opostos existenciais como o sublime e o grotesco, e explorando as analogias ocultas do universo. Baudelaire foi o escritor que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, lançando-se também como crítico de arte no Salon de 1845. Nesse momento, o poeta tornava-se um crítico que buscava um princípio inspirador e coerente nas obras de arte. Os escritos que o revelam nesse segmento A arte Romântica e Curiosidades Estéticas só foram publicadas em 1868. Baudelaire atuou também como tradutor de Allan Poe a partir de 1848. Entre seus ensaios, destaca-se O Princípio Poético (1876), onde as bases de sua poética foram fixadas. Um outro Charles-Pierre Baudelaire é revelado em Os Paraísos Artificiais, ópio e haxixe (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada na obra de Thomas De Quincey, Confissões de um Comedor de Ópio. Encontra-se também obras de cunho intimista e confessional, como Meu Coração Desnudo e Diários Íntimos. Baudelaire é tido como um dos maiores da França de todos os tempos. Alguns o consideram um ensaísta do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. De atuação ousada, tornou-se um ícone no século XX influenciando a poesia mundial de tendências simbolistas, inclusive no Brasil com Teófilo Dias. De sua obra, derivam Rimbaud, Verlaine e Mallarmé. Baudelaire foi precursor de uma linguagem moderna no romantismo, concedendo a realidade uma submissão lírica. Assim, sua poesia é marcada pela contradição; de um lado via-se um herdeiro do romantismo obscuro de Allan Poe e Gerard de Neval, e de outro, o poeta que se opôs ao sentimentalismo redundante do romantismo francês. 
Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de atribulações, Baudelaire morreu em Paris, no dia 31 de Agosto de 1867 nos braços de sua mãe, acometido pela paralisia geral. Seu talento, capacidade intelectual e percepção romântica, só foram totalmente apreciadas após sua morte. Tanto um Baudelaire, em sua face crítica e ácida, como o poeta confessional e expontâneo; mas, principalmente, como a totalidade de sua obra e o devido reconhecimento que lhe é atribuído.


Charles Baudelaire - A Beleza
Trilha Sonora: Notturno op. 9 n.1 - Chopin (Executada por Pollini)



 Chopin


Frédéric François Chopin também chamado Fryderyk Franciszek Chopin (Żelazowa Wola, 1 de Março de 1810 — Paris, 17 de Outubro de 1849) foi um pianista polaco e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Sua técnica refinada e sua elaboração harmónica vêm sendo comparadas historicamente com as de outros génios da música, como Mozart e Beethoven, assim como sua duradoura influência na música até os dias de hoje.



Pensamentos

Linces


"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."


(Friedrich Nietzsche)


Lince 


"As mentiras têm pernas curtas, mas o escândalo tem asas." 

(Thomas Fuller)


Linces


"Paciência abusada vira fúria."

(Thomas Fuller)


Lince


A educação inicia o cavalheiro; a conversação completa-o. 

(Thomas Fuller)


Lince


"Nada é bom ou ruim se não for por comparação." 

(Thomas Fuller)


Lince 


"Esquecemo-nos todos de muito mais do que nos lembramos." 

(Thomas Fuller)


Lince


"O hoje é aluno do ontem." 

(Thomas Fuller)


Lince 


"Um alqueire de trigo é constituído de muitos grãos." 

(Thomas Fuller)


Lince


"Aquele que tem medo na tua presença, odeia-te na tua ausência."

(Thomas Fuller)



Mapa de distribuição dos linces


O lince (Lynx spp.) é um mamífero da ordem Carnivora, família Felidae, sendo portanto um felino carnívoro. O género tem distribuição geográfica vasta, mas presente apenas, no Hemisfério Norte. Os linces são por vezes classificados dentro do género Felis, apesar de possuírem seu próprio gênero, Lynx. 
Os linces são felinos de dimensões um pouco maiores que o gato doméstico, podendo pesar até 30 kg. Têm cauda curtas e orelhas bicudas, com um tufo de pelos na ponta. Os habitats preferenciais dos linces são florestas e zonas de vegetação densa em geral, onde abundem roedores e lagomorfos, suas presas preferenciais. Os linces também possuem bigodes ultrassensíveis (vibrissas), pelagem espessa e patas largas como adaptações à vida sobre a neve no inverno. Quando o inverno chega, sua principal presa é a lebre, apesar da dificuldade de captura, devido à pelagem branca desta.

Espécies de lince

Lince-euroasiático (Lynx lynx) 
Lince-ibérico (Lynx pardinus) 
Lince-do-canadá (Lynx canadensis) 
Lince-pardo ou lince-vermelho (Lynx rufus), típico das Montanhas Rochosa
Lynx issiodorensis, espécie extinta, habitou na Europa durante o Pleistoceno


O Lince-Ibérico (Parte I)   

O Lince-Ibérico (Parte II)   



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