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terça-feira, 11 de junho de 2013

"Se as penas com que Amor tão mal me trata" - Soneto de Luís Vaz de Camões


Edmond Aman-Jean, Young Girl with Peacock, 1895



Se as penas com que Amor tão mal me trata 


Se as penas com que Amor tão mal me trata 
Permitirem que eu tanto viva delas, 
Que veja escuro o lume das estrelas, 
Em cuja vista o meu se acende e mata; 

E se o tempo, que tudo desbarata, 
Secar as frescas rosas, sem colhê-las, 
Deixando a linda cor das tranças belas 
Mudada de ouro fino em fina prata; 

Também, Senhora, então vereis mudado 
O pensamento e a aspereza vossa, 
Quando não sirva já sua mudança. 

Ver-vos-eis suspirar por o passado, 
Em tempo quando executar-se possa 
No vosso arrepender minha vingança. 


Luís Vaz de Camões, 
in "Sonetos"



Portrait of French painter Edmond Aman-Jean 


Edmond François Aman-Jean (13 de janeiro de 1858 - 23 de janeiro, 1936) foi um pintor simbolista,  francês, que co-fundou o Salon des Tuileries, em 1923.
 Ele nasceu em Chevry-Cossigny, uma pequena aldeia na junção dos rios Sena e Marne, a cerca de três quilômetros de Paris. Iniciou seus estudos de arte com Henri Lehmann na École des Beaux-Arts em 1880, e mais tarde estudou com Pierre Puvis de Chavannes
Edmond Aman-Jean tornou-se um importante professor. Foram seus alunos  Sydney Charles Hopkinson, Theodor Pallady, e Nicolae Tonitza. 
A boa reputação artística devia-se principalmente aos seus retratos do sexo feminino. Também era conhecido por seus murais em edifícios públicos e oficiais, incluindo Sorbonne.
Como muitos artistas franceses de sua geração, ele foi influenciado pelas novas perspectivas sobre a arte japonesa em Paris, e, mais raramente, estava interessado nos artistas pré-rafaelitas na Inglaterra. Aman-Jean era um amigo próximo de Georges Seurat e  os dois artistas compartilharam um estúdio de Paris em 1879. O retrato de Seurat foi descrito como "um dos grandes retratos do século XIX", após a exposição no Salão de Paris, em 1883.



Self-portrait of French painter Edmond Aman-Jean


Edmond Aman-Jean, Printemps, 1890


Portrait of a Woman, oil painting by Edmond François Aman-Jean, 1891, Cleveland Museum of Art


Edmond Aman-Jean, Hesiod Listening to the Inspiration of the Muse


Edmond Aman-Jean, The Mirror in the Vase, 1905



Edmond Aman-Jean, Portrait of a Japanese Woman (Mrs. Kuroki)



Edmond Aman-Jean, Miss Ella Carmichaël, 1906


Edmond Aman-Jean, Portrait de Mademoiselle V. G.


Edmond Aman-Jean, Intimacy


Edmond Aman-Jean, Confidence


Edmond Aman-Jean, Women Reading 


Edmond Aman-Jean, Femme en robe rose


Edmond Aman-Jean, Rêverie 


Edmond Aman-Jean, Sous les Orangers, femme à Amalfi


Edmond Aman-Jean, Woman with glove, circa 1900 - 1902


domingo, 9 de junho de 2013

"Conversa Sentimental" - Poema de Paul Verlaine


Ludwig Knaus, Peaceful Lifes

(Ludwig Knaus, 5 de outubro de 1829 - 7 de dezembro 1910,  foi um pintor alemão da escola de Pintura Düsseldorf.)



Conversa Sentimental


No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.

Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.

No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.

— Recordas-te do nosso êxtase antigo?
— Por que razão acha que ainda consigo?

— Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? — Não.

— Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! — É possível.

— Como era azul, o céu, e grande a esperança!
— Mas é prò negro céu que hoje se lança.

Lá caminhavam p'las aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas. 


Paul Verlaine, in "Festas Galantes"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral



Paul Verlaine

Retrato do jovem Paul Verlaine, Pintura de Gustave Courbet (1819–1877)

Paul Verlaine foi um poeta francês nascido em 1844, em Metz, e falecido a 8 de janeiro de 1896, em Paris.
Verlaine viveu até aos sete anos em Metz, cidade francesa onde o pai, capitão de Infantaria, estava colocado, mas depois mudou-se com a família para Paris. Estudou Direito, mas desistiu ao fim de dois anos, optando por prosseguir a formação no serviço civil, onde se graduou com 18 anos.
Fez amizade com vários poetas parnasianos e passava os seus dias em longas conversas enquanto bebia absinto. O pai, desgostoso com este estilo de vida, deixou de lhe dar dinheiro.
Verlaine já se dedicava à poesia e, em 1866, publicou o seu primeiro livro, les Poèmes Saturniens, que revela ainda a influência do Parnasianismo e de Baudelaire, seguido de Fêtes Galantes, três anos mais tarde.
Casou em 1870, mas, um ano mais tarde, apaixonou-se pelo poeta Arthur Rimbaud, na altura com 17 anos. Entretanto já havia escrito, para a sua mulher, La Bonne Chanson, onde revelou a sua esperança pela felicidade. Contudo, tinha um mau temperamento e chegou a bater violentamente na mulher e no filho.
O casamento durou pouco e Verlaine e Rimbaud optaram por levar uma vida boémia entre Londres, em Inglaterra, e Bruxelas, na Bélgica. No entanto, a 12 de julho de 1873, após uma discussão, tentou dar um tiro a Rimbaud e acabou por ser preso durante 18 meses. Na prisão, estudou Shakespeare e a obra Dom Quixote, de Cervantes, e escreveu Romances Sans Paroles, considerado pelos críticos uma das suas obras-primas. Escreveu também o poema Ars poétique (1874) - que só foi publicado dez anos mais tarde em Jadis et naguère, tendo sido posteriormente considerado como o manifesto do Simbolismo - em que amadurece a sua conceção de poesia, encarada essencialmente como "música", subjetividade, espontaneidade, sugestão.


Retrato  de Paul Verlaine, por Eugène Carrière 

Verlaine entretanto converteu-se ao Catolicismo e foi viver para Inglaterra, onde deu lições de Francês. Regressou ao seu país, em 1877, para dar aulas num colégio. Nesta altura, publicou Sagesse, onde a sua poesia estava repleta de sentimentos religiosos.
Em 1879, deixou o ensino e foi com um pupilo viver para o campo, para tentar dirigir uma quinta. No entanto, rapidamente foi à falência e regressou a Paris.


Verlaine bebendo absinto no Café François 1er em 1892, fotografado por Paul Marsan Dornac


Com a morte do seu pupilo favorito, em 1883, e a perda da mãe, três anos mais tarde, Verlaine acabou por voltar a beber. Na altura, já era considerado o melhor poeta francês da época e tinha publicado uma obra controversa intitulada Les Poètes Maudits, composta por biografias de poetas, contos e versos sagrados e profanos.
Entrou numa fase de grande decadência, dormindo em bairros de lata e passando largos períodos hospitalizado. Juntamente com os poetas Stéphane Mallarmé e Charles Baudelaire, formou o grupo dos chamados "Decadentes", conhecido pela sua atração pelo mórbido, perverso e bizarro e pela liberdade moral.


Retrato de Paul Verlaine, por Edouard Chantalat (1866-1898)
(Posthumous, from a photograph.)

Paul Verlaine gastou o dinheiro que lhe restava com duas prostitutas com quem vivia alternadamente e com um ladrão com quem mantinha uma relação homossexual.
Mesmo assim, em 1894, foi considerado "O Príncipe dos Poetas franceses" após a sua obra ter sido redescoberta pelos seus contemporâneos.


Paul Verlaine, 1892 by Edmond Aman-Jean 
(Edmond Aman-Jean, January 13, 1858 – January 23, 1936, was a French symbolist painter.)


Paul Verlaine foi um dos líderes do Simbolismo, movimento que busca a espiritualidade e transcendência metafísica.
Morreu na miséria a 8 de janeiro de 1896, mas o seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas.

Paul Verlaine. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-06-08].


Quadro de Henri Fantin-Latour (Verlaine e Rimbaud, os dois à esquerda)


Vários artistas pintaram seu retrato. Entre os mais ilustres estão Henri Fantin-Latour, Antonio de la Gandara, Eugène Carrière, Frédéric Cazalis, e Théophile-Alexandre Steinlen. O tempo em que Rimbaud e Verlaine passaram juntos foi o tema do filme Total Eclipse (1995), dirigido por Agnieszka Holland e com roteiro de Christopher Hampton, baseado em sua peça. Verlaine foi interpretado por David Thewlis.


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